O presidente do Paraguai, Santiago Peña, reafirmou nesta sexta-feira (8) o apoio de seu país a Taiwan, em meio ao aumento da pressão diplomática da China para que a nação sul-americana rompa relações com Taipei. As informações são da Associated Press.
Durante visita oficial à capital taiwanesa, Peña declarou que o Paraguai valoriza profundamente a parceria com Taiwan e seguirá defendendo princípios como “democracia, liberdade e direitos humanos”. Atualmente, o Paraguai é o único país da América do Sul que mantém reconhecimento diplomático formal com Taiwan.
A manifestação ocorreu um dia após o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, pedir que o Paraguai “fique do lado certo da história” e encerre suas relações diplomáticas com Taiwan. Beijing considera a ilha parte de seu território e amplia nos últimos anos a pressão política e militar sobre Taipei.

Em cerimônia com honras militares, Peña afirmou que a relação entre Paraguai e Taiwan representa uma parceria baseada em valores compartilhados. Segundo ele, a cooperação bilateral continuará sendo fortalecida em áreas estratégicas.
O presidente de Taiwan, Lai Ching-te, agradeceu o apoio do governo paraguaio e destacou a importância da visita oficial para aprofundar os laços entre os dois países.
Além dos discursos políticos, os governos assinaram acordos bilaterais, incluindo um memorando de entendimento voltado a investimentos em um centro de computação para inteligência artificial.
Peña também criticou a exclusão de Taiwan do sistema das Nações Unidas, afirmando que impedir a participação internacional da ilha enfraquece a legitimidade da ONU como organização representativa das democracias globais.
A visita acontece em um momento de intensificação da disputa diplomática entre China e Taiwan. Desde 2016, Beijing ampliou esforços para convencer aliados de Taipei a reconhecerem oficialmente o governo chinês. Nos últimos anos, diversos países romperam relações com Taiwan e passaram a manter vínculos diplomáticos com os chineses.
O caso mais recente na América Latina foi Honduras, que encerrou relações com Taiwan em 2023 para estabelecer parceria diplomática com a China. Ainda assim, Peña afirmou que o Paraguai mantém uma relação “excelente” com Taiwan e pretende ampliá-la.
A China e Taiwan são governadas separadamente desde 1949, após a guerra civil chinesa. Beijing defende o princípio de “Uma Só China”, enquanto Taiwan atua como um território autônomo com governo democrático próprio.
Por que isso importa?
Taiwan é uma questão territorial sensível para a China, e a queda de braço entre Beijing e o Ocidente por conta da pretensa autonomia da ilha gera um ambiente tenso, com a ameaça crescente de uma invasão pelas forças armadas chinesas a fim de anexar formalmente o território taiwanês.
Nações estrangeiras que tratem a ilha como nação autônoma estão, no entendimento de Beijing, em desacordo com o princípio “Uma Só China“, que também vê Hong Kong como parte da nação chinesa.
Embora não tenha relações diplomáticas formais com Taiwan, assim como a maioria dos demais países, os EUA são o mais importante financiador internacional e principal parceiro militar de Taipé. Tais circunstâncias levaram as relações entre Beijing e Washington a seu pior momento desde 1979, quando os dois países reataram os laços diplomáticos.
A China, em resposta à aproximação entre o rival e a ilha, endureceu a retórica e tem adotado uma postura belicista na tentativa de controlar a situação. Jatos militares chineses passaram a realizar exercícios militares nas regiões limítrofes com Taiwan e habitualmente invadem o espaço aéreo taiwanês, deixando claro que Beijing não aceitará a independência formal do território “sem uma guerra“.