Covid-19 reduz migrações pela metade na África Central e Ocidental

Restrições impostas para o fluxo dessa população afetam renda das famílias e prendem pessoas nas fronteiras
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A pandemia do novo coronavírus reduziu em cerca de 50% as migrações regionais da África Central e Ocidental no primeiro semestre de 2020. O dado foi divulgado pela OIM (Organização Internacional de Migrações) nesta terça (16).

As restrições impostas para o fluxo dessa população, como diante do fechamento das fronteiras entre os países africanos, afetam sobretudo a renda das famílias.

“Com o fechamento, eu não posso sair de Ouagadougou para vender em outras cidades o sabonete que eu produzo”, disse um migrante entrevistado pela OIM na capital de Burkina Faso.

A organização estima que cerca de 33 mil pessoas estão presas nas fronteiras. O número inclui quem está em centros de trânsito superlotados, como resultado das restrições de mobilidade.

“A maioria deles perdeu o emprego ou os rendimentos, o que também pode ser um obstáculo ao acesso aos serviços de saúde”, afirmou a diretora interina do escritório regional da OIM para a África Central e Ocidental, Sophie Nonnenmacher.

Transporte na cidade de Bandiagara, Mali (Foto: Gema Cortes/UN Photo)

Trabalhadores sazonais

As regiões entre o Mali, a Costa do Marfim e Burkina Faso registram outro fenômeno: trabalhadores sazonais presos em outros países por causa do fechamento das fronteiras.

Pela necessidade desses trabalhadores temporários em áreas agrícolas e de mineração, muitas pessoas deixam seus países para trabalhar longe de casa.

Diante da situação, a OIM pede que os países incluam os migrantes nas respostas nacionais à pandemia.

Deslocados pela violência

As medidas de restrição impostas para evitar a disseminação do vírus nos diversos países africanos afetam também quem se desloca internamente. Há cerca de seis milhões de deslocados internos na região, que dependem quase exclusivamente de ajuda humanitária.

Essas pessoas perderam seus meios de subsistência no trabalho informal, que representa 60% da economia de comunidades transfronteiriças.

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