Facção do EI assume autoria de ataque que incendiou uma igreja cristã na Nigéria

Grupo extremista, que havia prometido atacar cristãos nas festas de final de ano, teria queimado uma igreja, uma casa e um carro durante a ação
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O ISWAP (Estado Islâmico da África Ocidental) assumiu a autoria de um ataque contra cristãos no vilarejo de Wultihiya, no Estado de Borno, nordeste da Nigéria, ocorrido na última quinta-feira (30). Na ação, os extremistas alegam ter queimado uma igreja, uma casa e um carro pertencentes à comunidade cristã local. A informação foi divulgada no Twitter pelo pesquisador polonês Tomasz Rolbiecki, especializado em terrorismo islâmico no continente africano.

Em suas redes de divulgação, o ISWAP chegou a publicar fotos do que seria a igreja cristã queimada. O grupo não falou em mortos ou feridos na ação.

Em meados de dezembro, a facção extremista havia afixado uma série de cartazes em locais públicos de uma cidade do nordeste nigeriano nos quais ameaçava empreender uma onda de ataques contra comunidades cristãs durante as festas de final de ano.

Segundo moradores da cidade de Michika, no Estado de Adamawa, os cartazes continham ameaças dos extremistas islâmicos de que uma ação violenta ocorreria no período do Natal. O Estado Islâmico (EI), ao qual o ISWAP é afiliado, também fez ameaças aos cristãos com imagens publicadas no aplicativo de mensagens Telegram e em uma revista digital. Uma delas mostrava um Papai Noel sendo decapitado.

O ISWAP também reivindicou a autoria de um ataque realizado na segunda-feira (3) contra uma base do exército nigeriano. A ação teria sido iniciada por um terrorista suicida com um colete explosivo. Após o invasor detonar o artefato, outros combatentes teriam invadido a base, deixando dez soldados mortos ou feridos.

Igreja cristã queimada pelo ISWAP no Estado de Borno, na Nigéria, dia 30 de dezembro de 2021 (Foto: reprodução/Twitter)

Por que isso importa?

O ISWAP foi formado em 2016 por dissidentes do Boko Haram insatisfeitos com as decisões do ex-líder Abubakar Shekau. Atualmente, o grupo se concentra em alvos militares e ataques de alto perfil, inclusive contra trabalhadores humanitários. Os dois grupos jihadistas disputam o controle do estado de Borno, no nordeste da Nigéria. Chegaram a surgir relatos de uma aliança entre as duas organizações rivais, informação que jamais se confirmou oficialmente.

Desde 2021 o ISWAP adquiriu importância estratégica para o Estado Islâmico (EI), que tem se enfraquecido financeira e militarmente nos últimos anos e, assim, aposta em sua força no continente africano para tentar ressurgir globalmente.

Em 2017, o Iraque anunciou ter derrotado a organização, com a retomada de todos os territórios que ela dominava desde 2014. O grupo, que chegou a controlar um terço do país, hoje mantém células adormecidas que lançam ataques esporádicos. Já as Forças Democráticas Sírias (FDS), apoiadas pelos EUA, anunciaram em 2019 o fim do “califado” criado pelos extremistas no país.

De acordo com um relatório do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), publicado em julho deste ano, a prioridade do EI atualmente é “o reagrupamento e a tentativa de ressurgir” em seus dois principais domínios, Iraque e Síria. O documento sugere, ainda, que o grupo teve considerável perda financeira recentemente, devido a dois fatores: as operações antiterrorismo no mundo e a má gestão de fundos por parte de seus líderes.

Paralelamente à derrocada do EI, a pandemia de Covid-19 reduziu o número de ataques terroristas em regiões sem conflito, devido a fatores como a redução do número de pessoas em áreas públicas. Entretanto, grupos jihadistas têm se fortalecido em zonas de conflito, caso da África Ocidental, o que explica a importância de fortalecer o ISWAP para manter a relevância global.

Em meio aos conflitos que se intensificam no nordeste da Nigéria, estima-se que cerca de 1,74 milhão de crianças menores de cinco anos sofram de desnutrição aguda entre setembro de 2021 e agosto de 2022 na região. Esse número inclui mais de 600 mil casos de desnutrição aguda grave.

No Brasil

Casos mostram que o Brasil é um porto seguro para extremistas. Em dezembro de 2013, levantamento do site The Brazil Business indicava a presença de ao menos sete organizações terroristas no Brasil: Al Qaeda, Jihad Media Battalion, Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica, Al-Gama’a Al-Islamiyya e Grupo Combatente Islâmico Marroquino.

Em 2001, uma investigação da revista VEJA mostrou que 20 membros terroristas de Al-Qaeda, Hamas e Hezbollah viviam no país, disseminando propaganda terrorista, coletando dinheiro, recrutando novos membros e planejando atos violentos.

Em 2016, duas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos no Rio, a PF prendeu um grupo jihadista islâmico que planejava atentados semelhantes aos dos Jogos de Munique em 1972. Dez suspeitos de serem aliados ao Estado Islâmico foram presos e dois fugiram.

Mais recentemente, em dezembro de 2021, três cidadãos estrangeiros que vivem no Brasil foram adicionados à lista de sanções do Tesouro Norte-americano. Eles são acusados de contribuir para o financiamento da Al-Qaeda, tendo inclusive mantido contato com figuras importantes do grupo terrorista.

Para o tenente-coronel do Exército Brasileiro André Soares, ex-agente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), o anúncio do Tesouro causa “preocupação enorme”, vez que confirma a presença do país no mapa das organizações terroristas islâmicas.

“A possibilidade de atentados terroristas em solo brasileiro, perpetrados não apenas por grupos extremistas islâmicos, mas também pelo terrorismo internacional, é real”, diz Soares, mestre em operações militares e autor do livro “Ex-Agente Abre a Caixa-Preta da Abin” (editora Escrituras). “O Estado e a sociedade brasileira estão completamente vulneráveis a atentados terroristas internacionais e inclusive domésticos, exatamente em razão da total disfuncionalidade e do colapso da atual estrutura de Inteligência de Estado vigente no país”. Saiba mais.

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