Legado de violência persiste após posse do novo governo do Burundi, denuncia ONU

Relatório da ONU aponta violência sexual, execuções e tortura mesmo após eleições no país, na África Oriental
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Desde que assumiu o governo, em junho, o novo presidente do Burundi, Evariste Ndayishimiye, não promoveu nenhuma mudança contra o legado de violência deixado por seus antecessores.

Em relatório publicado nesta quinta (17), a ONU (Organização das Nações Unidas) denuncia execuções sumárias, tortura e violência sexual de crianças e adolescentes. Tudo teria sido autorizado pelo novo governo.

Intensificada durante as eleições, no dia 20 de maio, a onda de violência continua. “Homicídios, prisões arbitrárias e desaparecimentos continuam ocorrendo mesmo após as eleições”, disse a integrante da Comissão de Inquérito, Francoise Hampson. “É motivo de grande preocupação.”

Legado de violência persiste em novo governo do Burundi, denuncia ONU
Famílias vulneráveis no Burundi, em agosto de 2020 (Foto: UN Photo/Relatório ONU)

Dois dos 15 ministros escolhidos pelo governo do atual presidente, estão sob sanção dos Estados Unidos e União Europeia. Alain Guillaume Bunyoni e Gervais Ndirakobuca são acusados de violação aos direitos humanos em repressão violenta a protestos no país, em 2015.

Com militares fortes, o governo não responsabiliza policiais pelas infrações, denuncia a ONU. No Burundi, 74% da população vive em pobreza extrema.

Crianças são as principais vítimas

Mais da metade da população, os jovens menores de 18 anos são os que sofrem as violações mais graves, aponta o relatório. Muitos são recrutados à força para integrar a liga jovem do partido de Evariste.

O grupo violento assumiu o controle nas áreas rurais do país e é o principal propagador de discurso de ódio no país.

A violência por retaliação a outros membros da família também é comum às crianças e adolescentes. Agora, a ONU exorta o governo a libertar ativistas, jornalistas e presos políticos.

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