Refugiados desabrigados após incêndios na Grécia começam a ser realocados

Grécia já disponibilizou abrigos temporários; incêndios reacendem discussão sobre crise de migração na Europa
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Os refugiados expulsos por dois incêndios do maior campo de deslocados do mundo, em Moria, na Grécia, já estão sendo realocados. O espaço foi quase todo destruído nessa quarta (9).

“Vimos o fogo se espalhar por Moria a noite toda. As pessoas saíram sem direção”, relatou Marco Sandrone, coordenador da operação Médicos Sem Fronteiras na cidade. Estima-se cerca de 13 mil pessoas precisem ser realocadas, informou a Associated Press.

De acordo com o porta-voz do governo da Grécia, Stelios Petsas, o país já disponibilizou uma balsa, dois navios da Marinha e tendas para alojamento temporário até que a situação se normalize. Na madrugada de quinta (10), sem abrigo, muitos refugiados dormiram nas ruas e em campos próximos.

Refugiados desabrigados após incêndios em Moria começam a ser realocados
Refugiados voltam para recolher o que restou nos escombros do campo de refugiados de Moria, na ilha grega de Lesbos, no início de setembro de 2020 (Foto: Twitter/Médicos Sem Fronteiras)

Petsas também afirmou que as 406 crianças e adolescentes desacompanhadas serão transportadas ao norte da Grécia na noite desta quinta-feira (10). Eles serão os únicos a deixar a ilha de Lesbos.

Na quarta (9), as autoridades gregas afirmaram que os incêndios foram criminosos, após a instauração de medidas de quarentena. “Algumas pessoas não respeitam o país que as hospeda e se esforçam para provar que não buscam um passaporte para uma vida melhor”, disse Petsas.

O porta-voz reiterou que, além dos menores desacompanhados, os refugiados não deixarão a ilha por causa do fogo.

Em nota, a Acnur (Agência das Nações Unidas para Refugiados) relatou que muitos refugiados entraram em confronto com habitantes das aldeias vizinhas em busca de abrigo.

A agência informou que os hospedados no campo de Moria devem permanecer no local. “Uma solução temporária está sendo encontrada para abrigá-los”, reiterou o órgão.

Superlotação, insatisfação e Covid-19

Com cerca de 13 mil residentes, o campo de Moria teria capacidade para abrigar até 2,7 mil pessoas. O local recebe refugiados do Oriente Médio, África e Ásia desde a crise de imigração europeia, de 2015 e 2016. Muitos chegam clandestinamente na ilha de Lesbos por meio da costa turca.

Antes do incêndio, o campo estava bloqueado para evitar a propagação de coronavírus. As restrições de movimento, no entanto, geraram revolta.

“Após a recente confirmação de casos positivos de Covid-19 entre os residentes do campo, as crescentes restrições às pessoas tornaram a situação insuportável”, afirmou Sandrone.

Refugiados desabrigados após incêndios em Moria começam a ser realocados
Incêndios destruíram quase a totalidade do campo de refugiados de Moria, na ilha grega de Lesbos, em setembro de 2020 (Foto: Twitter/Médicos Sem Fronteiras)

Os pedidos para aprimoração da estrutura na área da saúde no local não foram atendidos e, conforme a MSF, os Estados-membros da UE (União Europeia) se eximiram de qualquer responsabilidade.

“A Grécia foi abandonada para lidar com milhares de pessoas que chegam ao país”, disse Miltiadis Varvitsiotis, ministro grego dos Assuntos Europeus a membros da União Europeia nesta quinta (10).

Nas próximas semanas, a UE devem publicar um novo pacto sobre a imigração. O objetivo é encerrar a disputa sobre a responsabilidade no gerenciamento dos migrantes e ajuda humanitária.

Um acordo de 2016 entre a UE e Turquia, que define a estadia de migrantes na costa turca até a liberação do pedido de asilo, está em vigor mas não opera na prática, pontuou a Associated Press.

Enquanto isso, milhares seguem desabrigados em Moria. “Nossa casa pegou fogo, meus sapatos pegaram fogo, não temos comida, nem água”, disse a pequena Valencia, 8, ao repórter da Reuters após pedir um biscoito.

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