Sahel precisa de investimento urgente, sob risco de décadas de conflitos armados

Inundações devastadoras, secas e ondas de calor dizimam o acesso a água, alimentos e meios de subsistência e ampliam o risco de violência

Sem investimentos urgentes em mitigação e adaptação climática, os países do Sahel correm o risco de décadas de conflito armado e deslocamento, agravados pelo aumento das temperaturas, escassez de recursos e insegurança alimentar, alertou a ONU em um relatório publicado na quarta-feira.

O documento diz que, se não for controlada, a emergência climática colocará em perigo ainda mais as comunidades sahelianas, pois inundações devastadoras, secas e ondas de calor dizimam o acesso a água, alimentos e meios de subsistência e ampliam o risco de conflito.

“No Sahel, a crise climática está se combinando com o aumento da instabilidade e o baixo nível de investimentos em desenvolvimento para criar uma mistura desempoderadora que sobrecarrega as comunidades, com o risco adicional de comprometer a consecução dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, afirmou o Coordenador Especial para o Desenvolvimento do Sahel, Abdoulaye Mar Dieye.

Rodovia em Boubon, região de Tillaberi, Níger, Sahel Central, maio de 2019 (Foto: Divulgação/NigerTZai)

Segundo ele, “existem soluções focadas na agência das pessoas e investimentos em escala, mas elas exigem comprometimento e dedicação resolutos de todos, bem como os dados e análises corretos para saber o que está por vir para executar respostas políticas proativas e impactantes.”

As comunidades em todo o Sahel dependem da agricultura e da pecuária, que são altamente vulneráveis ​​aos impactos das mudanças climáticas.

A insegurança alimentar já está aumentando em toda a região, atingindo níveis de emergência em algumas áreas. A longo prazo, as colheitas de milho, painço e sorgo deverão diminuir devido aos choques climáticos, desgastando a resiliência das populações locais.

Andrew Harper, conselheiro especial para ação climática da Acnur, a agência de refugiados da ONU, diz que “o aumento das temperaturas e o clima extremo no Sahel estão piorando os conflitos armados, que já estão destruindo meios de subsistência, interrompendo a segurança alimentar e impulsionando o deslocamento”. E apenas um grande impulso na mitigação e adaptação coletiva do clima ajudaria a região a mudar de rumo.

Mesmo com políticas ambiciosas de mitigação climática, prevê-se que as temperaturas no Sahel subam 2,5° C até 2080. Se uma ação urgente for adiada, elas poderão aumentar em 4,3° C.

Apesar das tendências negativas, o Sahel é dotado de abundantes recursos naturais. A região fica em um dos maiores aquíferos da África e tem imenso potencial para energias renováveis, incluindo capacidade abundante de energia solar e uma população jovem dinâmica, vez que cerca de 64% dos sahelianos têm menos de 25 anos.

Se ações ousadas na mitigação e adaptação climática forem tomadas em breve para apoiar os países e comunidades do Sahel, e a colaboração nos pilares humanitário, de desenvolvimento e construção da paz for priorizada, há um grande potencial para mudar a trajetória da região, enfatiza o relatório.

Conteúdo adaptado do material publicado originalmente pela ONU News

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