Ásia e Pacífico

China disputa com Taiwan obras dos Jogos do Pacífico nas Ilhas Salomão

Após ação chinesa, Taipé perdeu contratos para construções e reconhecimento das ilhas por sua independência

A China tem usado a construção da estrutura para os Jogos do Pacífico, nas Ilhas Salomão, para ganhar espaço estratégico sua disputa com Taiwan.

Até 2019, as empresas taiwaneses construiriam as instalações, incluindo o Estádio Nacional. Agora, a obra estimada em US$ 53 milhões ficará a cargo da China e tem início previsto para maio.

Os chineses também devem financiar outras seis quadras poliesportivas e instalações para as equipes olímpicas. O acordo com Beijing foi firmado em outubro, após meses de atraso por conta da pandemia.

China acelera disputa com Taiwan em obra aos Jogos do Pacífico nas Ilhas Salomão
Propaganda do governo das Ilhas Salomão sobre os Jogos do Pacífico antes do corte de relações com Taiwan, em 2018 (Foto: Divulgação/Governo das Ilhas Salomão)

A mudança de rumo começou há dois anos, quando o primeiro-ministro salomonense, Manasseh Sogavare, interrompeu as relações de 36 anos com Taiwan e anunciou que reconheceria a soberania chinesa.

Beijing defende que Taiwan é uma “parte inseparável” da China, enquanto a ilha reivindica sua independência e busca apoio de rivais chineses, como EUA, Reino Unido e Austrália.

A preocupação com possíveis atrasos gerou questionamentos sobre a capacidade do pequeno país de realizar dos Jogos, que inauguram as Ilhas Salomão como anfitriãs em competições olímpicas.

Nesta segunda (8), os organizadores da competição asseguraram que as instalações ficarão prontas a tempo de realizar o evento, em 2023.

Repercussões

Além dos investimentos em estruturas esportivas, a China incluiu as Ilhas Salomão no Cinturão da Rota da Seda. Estradas, pontes, energia e a renovação na reserva Gold Ridge, considerada a mina de ouro mais lucrativa do país.

Outro investimento é da empresa China Sam Enterprise Group, que assinou um contrato para arrendar toda a ilha de Tulagi por 75 anos. O local seria usado para a construção de um terminal de petróleo e gás, porto de pesca e “zona econômica especial”.

A repercussão negativa sobre o contrato obscuro, porém, fez com que o governo das Ilhas Salomão apontasse ilegalidade no arrendamento e defendesse sua rescisão, informou o jornal honconguês “South China Morning Post”.

A decisão em transferir a lealdade para a China repercutiu em todo o mundo. Kiribati também abandonou Taiwan menos de duas semanas depois – o que gerou apreensão à Austrália, que se opõe à expansão chinesa no Pacífico. Hoje, apenas 15 países reconhecem o governo de Taipé.

O movimento também gerou mudanças no gabinete do governo das Ilhas Salomão. Sogavare demitiu quatro membros por não apoiar a medida e um renunciou, noticiou à época o semanário britânico “The Economist”.