Número de deslocados internos em Mianmar duplica em um ano e bate a marca de 800 mil

Condições de segurança pioram rapidamente, e não há sinais de que os conflitos sejam interrompidos no país asiático

Em apenas um ano, o total de deslocados internos em Mianmar duplicou, chegando a mais de 800 mil pessoas que precisaram deixar suas casas devido à insegurança no país asiático.  A informação foi apresentada nesta sexta-feira (11) pelo porta-voz da Acnur (Agência da ONU para Refugiados), Matthew Saltmarsh, segundo quem as condições de segurança estão piorando rapidamente no país. 

Saltmarsh afirmou que não existem sinais de que os conflitos vão diminuir, e a previsão é de que o número de deslocados internos continue subindo. Ele explicou que, desde fevereiro de 2021, quando os militares tomaram o poder no país, 440 mil pessoas deixaram suas casas, sendo que o país já tinha, há um ano, 370 mil deslocados internos.  

A Acnur e parceiros estão aumentando as operações em Mianmar para tentar ajudar o maior número possível de civis. Estados do sudeste do país abrigam mais da metade dos novos deslocados internos, sendo que Kayin e Kayah são as regiões mais afetadas pelas hostilidades entre os grupos armados. 

Presença das forças de segurança de Mianmar em um vilarejo da cidade de Sittwe (Foto: WikiCommons)

Outra área bastante afetada pelo conflito fica no noroeste de Mianmar, onde 190 mil pessoas continuam deslocadas. Segundo a agência da ONU, o acesso humanitário continua restrito no país devido à insegurança, às estradas bloqueadas e aos desafios para se obter aprovação de licenças.  

O porta-voz da Acnur disse ainda que as comunidades que estão recebendo esses deslocados continuam tendo papel central em ajudar esses civis, demonstrando “solidariedade ao doar o que podem”.  Segundo Saltmarsh, a agência está trabalhando em conjunto com parceiros locais e no ano passado, foi possível entregar ajuda emergencial a 170 mil pessoas em Mianmar. 

Os civis recebem cobertores, material para montar tendas, itens para cozinhar, redes mosquiteiras, colchonetes e kits de higiene, além de material de proteção contra a Covid-19. Dezenas de milhares de pessoas já foram beneficiadas este ano. 

A Acnur lembra que a situação humanitária em Mianmar continua precária. Além dos conflitos, os civis enfrentam aumento do preço das principais matérias-primas, desemprego e falta de renda; interrupções dos serviços básicos e insegurança prolongada. A agência afirma que “a maioria dos deslocados internos do país precisa de assistência humanitária para sobreviver”.  

No estado de Rakhine, existem 600 mil pessoas da etnia rohingya, sendo que 148 mil estão em acampamentos para deslocados, vilarejos e outros locais. São civis altamente vulneráveis que precisam de apoio humanitário.  

O plano da Acnur para 2022 é ampliar sua presença em Mianmar. Para isso, são necessários US$ 56,7 milhões para garantir assistência humanitária adequada e apoio às famílias vulneráveis.  

Conteúdo adaptado do material publicado originalmente pela ONU News

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