Paralisação após coronavírus custará até US$ 3,3 bilhões ao turismo

Na América Latina, República Dominicana e Colômbia devem ser os países mais afetados pela crise no setor
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O setor do turismo pode perder entre US$ 1,2 bilhão e US$ 3,3 bilhões em todo o mundo por causa da pandemia do novo coronavírus, estimou a Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) em um relatório divulgado nesta quarta (1º).

Países como República Dominicana, Equador, México, Colômbia e Argentina estão entre os mais afetados na América Latina. Já entre os europeus, a Espanha é um dos países que sofrerá os maiores impactos.

Foram analisados três cenários, de acordo com as medidas de restrição tomadas pelos governos para conter a disseminação do vírus. No melhor cenário, em uma paralisação de quatro meses, a perda seria de 1,5% do PIB (produto interno bruto) mundial, ou US$ 1,2 bilhão.

Coronavírus custará até US$ 3,3 bilhões ao turismo
Entrada da sala de embarque do Aeroporto de Florença, na Itália, em março de 2020 (Foto: Nucleo Operativo Protezione Civile)

Caso a interrupção seja de oito meses, as perdas no turismo serão de US$ 2,2 bilhões, o equivalente a 2,8% do PIB mundial. O cenário mais pessimista leva em consideração uma paralisação de 12 meses, o que custaria US$ 3,3 bilhões (4,2% do PIB mundial).

Segundo a Unctad, os países em desenvolvimento podem sofrer as maiores perdas no PIB. A Jamaica e a Tailândia, muito dependentes do setor, se destacam com perdas de 11% e 9%, respectivamente, quando se analisa o cenário mais pessimista.

Outros importantes destinos turísticos — como Quênia, Egito e Malásia — podem amargar perdas entre 3% e 10% do PIB de seus países.

América Latina

Entre os países da América Latina, a República Dominicana será provavelmente o mais afetado pela pandemia, segundo o relatório. A crise no turismo representará uma queda de 5% a 16% do PIB dominicano, a depender do período de paralisação do setor.

A Colômbia também deve ver queda considerável no PIB. As perdas para o país podem variar de 2% a 4%. Projeções para o Equador, México e Argentina apontam quedas de 1% a 4%.

Europa

De acordo com a Unctad, a Espanha será um dos país mais afetado da Europa. O PIB espanhol pode cair de 3% a 9% este ano por causa da pandemia.

O cenário do país é superado pela Croácia, onde a queda do PIB é estimada entre 8% e 16%. Portugal verá uma contração entre 6% e 15%, enquanto a projeção para a Grécia aponta um encolhimento entre 4% e 13%.

Outros setores

Os impactos econômicos da pandemia no setor do turismo traz efeitos secundários para outros setores da economia que fornecem bens e serviços que os turistas procuram durante as férias, como alimentação e entretenimento.

A Unctad estima que para cada US$ 1 milhão perdido no turismo internacional, a renda nacional de um país pode cair de US$ 2 a US$ 3 milhões.

A queda maciça na chegada de turistas afeta ainda o mercado de trabalho. Estimativas apontam que, nos países mais afetados, o emprego de trabalhadores não qualificados pode diminuir em dois dígitos – mesmo em um cenário mais moderado.

As quedas mais acentuadas foram observadas na Tailândia, com uma retração de cerca de 12%, e na Jamaica, com 11%.

O estudo destaca ainda que as mulheres são as mais afetadas pela pandemia. A situação se agrava quando analisadas as situações das empreendedoras e das trabalhadoras.

Elas são mais propensas que os homens a investirem no turismo, respondendo por cerca de 54% dos trabalhadores nos setores de hospedagem e alimentação.

Por trabalharem principalmente de maneira informal, é pouco provável que, ao perderem o emprego, essas mulheres tenham acesso a benefícios, como seguro desemprego.

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