Na Tailândia, primeiro-ministro ganha aliados após reivindicação de renúncia

Ativistas querem que Prayut Chan-ocha deixe o governo até sábado (24); reforço de aliados pode interromper protestos
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin
Share on email

Entregue por líderes dos protestos da Tailândia na quarta (21), a carta que pede a renúncia do primeiro-ministro Prayut Chan-ocha até este sábado (24) pode ter sido o estopim para uma resposta ainda mais agressiva do governo tailandês contra os manifestantes pró-democracia.

Depois de revogar a proibição das manifestações, na quinta (22), Prayut passou a receber o apoio de lideranças como o Senado e o Exército do país.

Em uma cerimônia nesta sexta (23), o general chefe do Exército, Narongphan Jitkaewtae, teria esboçado um gesto de apoio ao premiê depois que um soldado pediu que “cuidassem de Prayut”. O general teria sorrido e concordado, registrou uma reportagem do jornal “Bangkok Post”.

A interpretação do gesto foi considerada um importante apoio do Exército tailandês ao primeiro-ministro no poder.

Na Tailândia, primeiro-ministro ganha aliados após reivindicação de renúncia
O general e primeiro-ministro da Tailândia, Prayut Chan-ocha, em sessão do Global Summit, em Bangkok, em abril de 2017 (Foto: Flickr/World Travel and Tourism Council)

O Senado da Tailândia também declarou seu apoio à monarquia do país e ao rei Maha Vajiralongkorn nesta quinta-feira, registrou o portal inglês Royal Central.

O presidente do Senado, Pornpetch Wichitcholchai, afirmou que é preciso “proteger e defender” a “nobre instituição”. O parlamentar ainda declarou que a monarquia é “absolutamente necessária à Tailândia”.

Reforma da monarquia

A declaração de Pornpetch vai na contramão do que defendem os centenas de milhares de manifestantes que tomaram as ruas da Tailândia desde o início de agosto.

Os protestos, que começaram com poucos estudantes em Bangkok, ganharam força e notoriedade ao reunirem adeptos pró-democracia e pela reforma da monarquia do país.

Os ativistas afirmam que, desde que assumiu o reinado, em 2016, o rei Maha autoinstituiu uma série de poderes, como o controle pessoal de unidades do exército e bens do palácio.

Na Tailândia, primeiro-ministro ganha aliados após reivindicação de renúncia
Imagem do Rei Maha está exposta em diversos locais de Bangkok (Foto: Michael Swan/Flickr)

Junto do monarca estaria o primeiro-ministro, que é acusado de corrupção e perseguição a oposicionistas. Para tentar conter os protestos, Prayut tentaria impor o controle na mídia do país, informou o jornal “Bangkok Post” na terça (21).

A informação está em um suposto despacho do governo ao qual os veículos de imprensa locais tiveram acesso.

O documento determina que as transmissões de televisão são uma “ameaça à segurança nacional ou aos bons costumes“. Nenhuma emissora de televisão foi bloqueada até o momento.

A ordem também sugeria um exame de todo o conteúdo de mídia do país e o bloqueio do Telegram. Boa parte das manifestações migraram para aplicativo de mensagens depois que o governo processou o Facebook e Twitter por “mensagens ofensivas”.

Tags: