O governo do Irã realizou casamentos públicos em massa em Teerã para casais que aderiram a um programa estatal de “autossacrifício”, no qual voluntários declaram disposição para morrer na guerra contra os Estados Unidos e Israel. O evento ocorreu em meio ao clima de tensão no Oriente Médio e às ameaças de novos confrontos militares envolvendo o país persa. As informações são da France24.
As cerimônias aconteceram na noite de segunda-feira (18) em diversas praças da capital iraniana, incluindo a Praça Imam Hossein, onde mais de 100 casais participaram do ato coletivo, segundo a imprensa estatal iraniana.
Transmitidos pela televisão oficial do Irã, os casamentos foram apresentados como símbolo de patriotismo, resistência e mobilização popular diante do cenário de conflito que se intensificou após os combates iniciados em 28 de fevereiro.

De acordo com a mídia iraniana, os participantes fazem parte do chamado programa “janfada”, termo persa associado à ideia de autossacrifício. Os inscritos prometem atuar em defesa do país durante uma guerra, inclusive se colocando diante de instalações estratégicas e alvos considerados sensíveis.
Imagens registradas pela AFP mostraram os noivos chegando à praça em jipes militares equipados com metralhadoras. Os casamentos foram conduzidos em um palco decorado com balões e imagens do líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei.
O líder iraniano assumiu o comando do país após a morte de seu pai e antecessor, Ali Khamenei, assassinado no primeiro dia da guerra, segundo autoridades iranianas.
Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar novas ações militares contra o Irã, mesmo após o cessar-fogo temporário firmado recentemente.
Durante o evento, participantes afirmaram que o casamento coletivo representava esperança em meio ao cenário de guerra. Uma jovem noiva declarou à agência Mehr que “os jovens também têm o direito de se casar”, apesar do conflito.
Outro casal afirmou que escolheu a data por coincidir com o aniversário do casamento do Imam Ali com Fátima, filha do profeta Maomé, uma união considerada sagrada pelos muçulmanos xiitas.
Desde o início da guerra, o governo iraniano intensificou manifestações públicas, atos patrióticos e mobilizações pró-governo para reforçar a imagem de unidade nacional diante das ameaças externas.