Europa

Europol mostra como grupos terroristas usam internet para manter a relevância

Grupos jihadistas sofreram importantes derrotas recentemente e têm usado recursos digitais para arregimentar seguidores

Um relatório divulgado na última sexta-feira (13) pela Europol, força policial da União Europeia (UE), mostra como os grupos terroristas têm utilizado a internet para manter a relevância. O documento foca principalmente em dois grupos terroristas: Al-Qaeda e Estado Islâmico (EI).

“Grupos terroristas jihadistas dedicam esforços significativos para criar campanhas de comunicação online eficazes. A produção e disseminação de conteúdo de propaganda é parte integrante desses esforços. Impulsionados pela inovação digital, esses grupos não se abstêm de explorar as tecnologias mais recentes para transmitir sua mensagem ao público-alvo”, diz o documento.

Sede da Europol, a força policial da União Europeia, em Hague, na Holanda (Foto: Wikimedia Commons)

A Europol destaca que os dois grupos sofreram importantes derrotas recentemente. O EI foi praticamente dizimado militarmente e atravessa um “momento crítico em sua evolução”, com a perda inclusive de infraestrutura de produção de mídia. Já a Al-Qaeda viu a queda de importantes líderes, mas foi capaz de se manter ativa e ainda consegue “capitalizar os eventos atuais para avançar suas inclinações ideológicas”.

A preocupação dos europeus é com a capacidade de os jihadistas influenciarem extremistas solitários. “A imagem apresentada no relatório é um claro lembrete de que as mensagens dos grupos jihadistas continuam a ter um efeito mobilizador e a inspirar e incitar ataques isolados de indivíduos que podem não ter conexões físicas com nenhum desses grupos”.

Uma das estratégias de divulgação do EI para compensar a perda de estrutura é terceirizar a propaganda, pois o grupo “continua a coordenar uma rede dispersa de afiliados que estão prontos para atender sua chamada, tanto online quanto offline”.

Mesmo enfraquecido, o grupo extremista continua a transmitir sua mensagem “e alcança seu público-alvo graças aos esforços de apoiadores comprometidos e suas redes”, diz o relatório. “A propaganda do EI continua a direcionar e inspirar ataques isolados em solo da UE, com redes de apoiadores ampliando a ameaça com campanhas de Conteúdo Gerado por Apoiador (SGC, da sigla em inglês)”.

As ações da Al-Qaeda, por sua vez, têm sido diferentes, inclusive com a iniciativa eventual de abrir “negociações com governos locais, seguindo a abordagem do Taleban” no Afeganistão. O grupo “foi capaz de construir uma nova narrativa em torno da rejeição da brutalidade e da proibição de matar muçulmanos inocentes”, diz o texto, que destaca o discurso menos extremistas que o do EI.

Como forma de fortalecer o combate ao terrorismo, a Europol anunciou um grupo de novas normas na UE para combater a disseminação de conteúdo terrorista online, que serão aplicáveis a partir de junho de 2022. A principal meta é proibir a hospedagem de propaganda terrorista online, bem como obrigar a remoção de conteúdo do gênero quando solicitado pelas autoridades responsáveis ou pela própria Europol.

Relatório da Europol

Em junho, a Europol divulgou em outro relatório que a UE foi alvo de 57 ataques terroristas em 2020. Nem todos foram executados até o fim. Muitos falharam ou foram frustrados pelas autoridades. Vinte e uma pessoas morreram em função dos atentados e 449 foram presas sob suspeita de associação ao terrorismo. 

Segundo o documento, o surto de Covid-19 contribuiu para o grande número de ataques: “A situação criada pela pandemia pode ser um fator adicional de estresse, potencialmente encorajando indivíduos vulneráveis a recorrer à violência”. 

“Extremistas e terroristas encontraram novas oportunidades devido ao maior tempo que passam online”, diz o texto publicado na ocasião, que prossegue: “A grande quantidade de desinformação disseminada” pela internet permite que eles “explorem a insatisfação social para alcançar e propagar suas ideologias”.

No Brasil

Casos mostram que o país é um “porto seguro” para extremistas. Em dezembro de 2013, um levantamento do site The Brazil Business indicava a presença de ao menos sete organizações terroristas no Brasil: Al Qaeda, Jihad Media Battalion, Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica, Al-Gama’a Al-Islamiyya e Grupo Combatente Islâmico Marroquino.

Em 2001, uma investigação da revista VEJA mostrou que 20 membros terroristas de Al-Qaeda, Hamas e Hezbollah viviam no país, disseminando propaganda terrorista, coletando dinheiro, recrutando novos membros e planejando atos violentos.

Em 2016, duas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos no Rio, a PF prendeu um grupo jihadista islâmico que planejava atentados semelhantes aos dos Jogos de Munique em 1972. Dez suspeitos de serem aliados ao Estado Islâmico foram presos e dois fugiram. Saiba mais.