Belarus alega que Ucrânia planeja ataque e anuncia força conjunta com a Rússia

Líder belarusso diz que Minsk e Moscou concordaram em implantar forças em resposta ao suposto "agravamento" na fronteira

O presidente belarusso Alexander Lukashenko disse que seu país e a Rússia concordaram em enviar forças militares conjuntas para agir contra um suposto “agravamento” na fronteira ocidental de Belarus. O autoritário líder alega que a Ucrânia planeja uma ofensiva contra seu território, embora não tenha apresentado provas. As informações são do jornal independente The Moscow Times.

“Dado o agravamento da situação nas fronteiras ocidentais do Estado da União, concordamos em enviar um grupo regional de forças da Federação Russa e da República de Belarus”, disse o autoritário líder durante uma reunião com autoridades de segurança, informou a agência estatal de notícias Belta

Lukashenko sustenta que a formação dessas tropas começou no sábado (8), em uma movimentação que coincidiu com a destruição parcial da ponte Kerch, na Crimeia, uma explosão que maculou o maior símbolo da anexação daquele território e que pode inaugurar uma nova fase da campanha de Vladimir Putin contra o país do rival Volodymyr Zelensky.

Alexander Lukashenko, presidente de Belarus, em reunião com militares locais (Foto: eng.belta.by)

Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, endossou a declaração de Lukashenko e sublinhou que o acordo é uma demonstração do sólido elo entre os países vizinhos – Belarus é aliada de primeira ordem de Moscou, relação que ficou ainda mais estreita com a guerra. 

“A interação de vários campos, incluindo a Defesa, está sendo constantemente discutida durante as conversas bilaterais entre o presidente Putin e Lukashenko”, disse Peskov.

A junção de forças, se espalhadas ao longo das fronteiras ocidentais de Belarus, ficaria próxima a membros da União Europeia (UE) e aliados da Ucrânia, no caso Polônia, Lituânia e Letônia. No entanto, o contingente russo seria pequeno, disse o homem conhecido como “o último ditador da Europa”.

“A última coisa que eles [Rússia] precisam é de outro conflito. Eles têm problemas suficientes. Portanto, não devemos esperar um grande número das forças russas. Mas serão mais de mil pessoas”, disse Lukashenko.

Belarus depende financeira e politicamente de Moscou. Desde fevereiro, Lukashenko é acusado de permitir que Putin use o país como trampolim para a invasão russa. A Rússia lançou vários ataques aéreos do território belarusso à Ucrânia.

Por que isso importa?

A aliança entre Belarus e Rússia, anterior à guerra na Ucrânia, já gerou críticas ao presidente Alexander Lukashenko por submeter Minsk às ordens de Moscou. O jornalista russo Konstantin Eggert afirmou, em artigo publicado pela rede alemã Deutsch Welle em março, que “o Kremlin vem consolidando seu controle sobre o país vizinho” nos últimos anos.

Segundo Eggert, “tudo o que o Kremlin está fazendo aponta para o objetivo de a Rússia absorver Belarus de uma forma ou de outra, embora possa permanecer oficialmente no mapa com Lukashenko como governante”.

O próprio presidente belarusso levantou essa possibilidade em agosto do ano passado, embora não tenha manifestado muito otimismo na conclusão do processo. “Quando falamos de integração, devemos entender claramente que isso significa integração sem nenhuma perda de Estado e soberania”, disse na ocasião.

A aliança entre russos e belarussos foi ganhando um enfoque cada vez mais militar conforme a tensão crescia entre Rússia e Ucrânia, com um ataque por parte de Moscou iminente. Então, quando a guerra explodiu, no dia 24 de fevereiro, o papel de Lukasehnko foi fundamental. Àquela altura, o Kremlin já havia posicionado dezenas de milhares de soldados em Belarus, usando o país como rota para a invasão.

Em artigo publicado em 12 de agosto e intitulado “Não nos esqueçamos do envolvimento de Belarus na guerra da Rússia na Ucrânia” (em tradução livre), o jornalista ucraniano Mark Temnycky destacou o papel belarusso como viabilizador do ataque.

“Nos últimos cinco meses, o presidente belarusso Alexander Lukashenko permitiu que o presidente russo, Vladimir Putin, usasse Belarus como palco para a invasão russa. A Rússia lançou vários ataques aéreos do território belarusso à Ucrânia”, disse ele. 

“Ao apresentar a Putin uma base de operações para sua invasão ilegal e desnecessária da Ucrânia, Lukashenko é culpado por associação. Em vez de condenar a guerra, o presidente belarusso afirmou repetidamente que apoia as ações da Rússia na Ucrânia”, prosseguiu o jornalista, que pediu punição para Belarus.

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