Insegurança alimentar aumenta em 20 focos de fome em todo o mundo, segundo a ONU

Relatório indica que Etiópia, Nigéria, Sudão do Sul e Iêmen continuam sendo os países de maior preocupação para as agências humanitárias

A insegurança alimentar está aumentando em 20 países e regiões de todo o mundo. São os chamados “focos da fome”, nos quais conflitos, choques econômicos, riscos naturais, instabilidade política e acesso humanitário limitado colocam milhões de vidas em risco, de acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas).

Relatório divulgado na quinta-feira (27) pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA) e pela Organização para Agricultura e Alimentação (FAO) aponta que Etiópia, Nigéria, Sudão do Sul e Iêmen continuam sendo os países de maior preocupação.

De acordo com as avaliações mais recentes, todos os quatro países tinham áreas onde as pessoas estavam passando, ou projetadas para experimentar, fome e morte, exigindo a atenção mais urgente.

O relatório mostra que as ligações entre fome e conflito são complexas e de longo alcance. Na verdade, muitas das pessoas que o PMA apoia estão fugindo do conflito e foram forçadas a abandonar suas terras, casas e empregos.

Essas tendências provavelmente continuarão em Mianmar, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Sahel Central, Sudão, Sudão do Sul, Somália, partes do norte da Etiópia, Nigéria e Moçambique.

Iemenitas dependentes de ajuda humanitária aguardam acesso a água potável (Foto: UNPD/Iemen)

Clima e preços dos alimentos

Outra tendência preocupante é o impacto dos extremos climáticos. Para o PMA e a FAO, as mudanças climáticas “não são mais um vislumbre do futuro, mas a realidade diária das comunidades ao redor do mundo”.

Isso já pode ser visto no Haiti, África Oriental, Madagascar, Moçambique e, recentemente, na região ocidental de Badghis, no Afeganistão.

Ao mesmo tempo, os desafios econômicos pós-pandemia persistem e continuarão a elevar os preços dos alimentos. Apesar de uma breve queda em meados de 2021, os preços mundiais dos alimentos estão subindo desde maio de 2020, sendo as áreas de maior preocupação o Oriente Próximo, Norte da África e Ásia Central e Oriental.

Restrições de acesso humanitário e ambientes de segurança complexos continuam a representar um desafio para as operações na Etiópia, Mali, norte da Nigéria, Níger e Síria, e provavelmente permanecerão na República Centro-Africana e na Colômbia.

Sudão do Sul

No Sudão do Sul, um dos quatro países de maior preocupação, conflito e acesso humanitário restrito, efeitos da pandemia de Covid-19, desafios econômicos e preços elevados dos alimentos estão piorando a situação.

As comunidades também tiveram que lidar com graves inundações que causaram deslocamentos generalizados, danos à produção agrícola, destruição de meios de subsistência e agravaram os problemas existentes em muitas regiões.

Nigéria

Na Nigéria, a insegurança e as altas taxas de inflação estão agravando a insegurança alimentar aguda.

A situação é de maior preocupação no Estado de Borno, afetado por um conflito que deve levar cerca de 13,5 mil pessoas a uma situação catastrófica de insegurança alimentar aguda se as intervenções humanitárias e de construção de meios de subsistência não forem sustentadas.

Etiópia

Não houve atualização para a Etiópia desde a projeção de julho a setembro de 2021, quando especialistas concluíram que 401 mil pessoas na região de Tigré provavelmente enfrentariam condições semelhantes à fome. Para as agências, essa falta de dados é uma grande preocupação.

Os níveis de insegurança alimentar aguda provavelmente aumentaram e podem aumentar ainda mais além dos níveis emergencial e catastrófico já identificados no último relatório.

Refugiada da região de Tigré, na Etiópia, novembro de 2020 (Foto: Unicef/Ahmed Abdalkarin)

Iêmen

A fome também está aumentando no Iêmen devido à mistura tóxica de conflito e declínio econômico. Como resultado, metade de todas as famílias iemenitas estão consumindo menos alimentos do que o necessário.

O custo de uma cesta básica de alimentos nas províncias controladas pelo governo mais que dobrou. Esse declínio é impulsionado pelas reservas de moeda estrangeira quase esgotadas, o que dificulta a importação de alimentos.

O aumento da assistência humanitária entre abril e julho de 2021 ajudou a estabilizar os níveis de segurança alimentar, mas os principais indicadores mostram uma deterioração no segundo semestre do ano.

Alarmes em outros lugares

O relatório também destaca a situação no Afeganistão, onde as projeções mostram um recorde de pessoas enfrentando níveis críticos de insegurança alimentar. Há também um sério risco de que parte da população enfrente fome e morte se a crise não for contida.

Há 22,8 milhões de afegãos enfrentando insegurança alimentar aguda. Até março, espera-se que 8,7 milhões deles caiam em níveis críticos de insegurança alimentar, mais que o dobro do número do mesmo período do ano passado e um recorde para o país.

O Chifre da África, região já propensa à insegurança alimentar, enfrenta agora uma terceira temporada de seca, impulsionada pelo fenômeno meteorológico La Niña. Na Etiópia, no Quênia e na Somália, os países mais afetados da região, as projeções indicam que a insegurança alimentar aumentará além dos níveis já altos da região até meados do ano.

No Sahel africano, uma estação chuvosa fraca afetou severamente o desenvolvimento de culturas e pastagens. Mais de 10,5 milhões de pessoas estão projetadas para estar em um nível de crise ou pior nessa área, um aumento de 20% em relação ao ano passado.

Conteúdo adaptado do material publicado originalmente em inglês pela ONU News

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