Escalada militar mina as perspectivas de acordo político no Iêmen, afirma enviado

"A escalada das últimas semanas está entre as piores já vistas no Iêmen em anos, ameaçando ainda mais as vidas dos civis", diz representante da ONU
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O enviado especial do secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas) ao Iêmen, Hans Grundberg, afirmou na terça-feira (28) que a recente escalada militar aumentou a tensão no país do Oriente Médio e minou as perspectivas para se alcançar um acordo político sustentável que possa acabar de vez com o conflito.  

Grundberg declarou que “a escalada das últimas semanas está entre as piores já vistas no Iêmen em anos, ameaçando ainda mais as vidas dos civis”. Ataques aéreos em Sanaa já causaram mortes e destruição em áreas residenciais, segundo ele, dizendo ainda que prosseguem as violações das leis humanitária internacional e de direitos humanos, bem como a impunidade. 

As ofensivas em Maribi, baseadas em ataques aéreos, já mataram civis e causaram deslocamento em massa de pessoas, segundo o enviado especial, que relata ainda os ataques contra a Arábia Saudita, que resultaram em mortes e em danos à infraestrutura.  

Hospital destruído após ataques em Sanaa, capital do Iêmen, em janeiro de 2020 (Foto: Unicef/Areej Alghabri)

De acordo com o representante da ONU, os lados têm a obrigação de preservar as infraestruturas civis, e os ataques citados são uma violação da lei humanitária internacional. Nas palavras dele, o ano de 2021 está terminando de “forma trágica para os iemenitas”, com milhões de pessoas enfrentando pobreza, fome e restrições à liberdade de movimento.  

Grundberg pede a reabertura do aeroporto de Sana e a retirada de qualquer obstáculo à possibilidade de as pessoas circularem entre as várias regiões do país. 

Funcionários da ONU detidos

Também na terça (28), a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, Audrey Azoulay, e a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, expressaram preocupação com a situação de dois funcionários presos no Iêmen em novembro. 

A ONU não conseguiu ainda nenhum contato com os detidos, que estão sob custódia, apesar de não haver base legal para a detenção deles.  Segundo as representantes, os líderes do movimento Houthi teriam prometido a libertação imediata dos dois, o que não aconteceu.  

A Unesco e a alta comissária para os Direitos Humanos destacam que os funcionários têm privilégios e imunidade, de acordo com a lei internacional, e reforçaram o pedido pela libertação sem mais demoras.  

Por que isso importa?

O Iêmen vive um conflito que começou no final de 2014, após o grupo rebelde houthi, alinhado ao Irã, expulsar o governo da capital iemenita Sanaa. Uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita interveio a favor dos antigos governantes, acusados de corrupção pelos militantes de oposição.

Desde janeiro, quando Washington incluiu os rebeldes em sua lista de grupos terroristas internacionais, o grupo intensificou os ataques com mísseis e drones contra a Arábia Saudita. Os houthis rejeitam a proposta saudita de cessar-fogo e exigem a abertura do espaço aéreo e dos portos do Iêmen.

Há relatos de que os houthis recrutam menores – em especial crianças – para a linha de frente das batalhas e para esgotar as munições das forças adversárias

crise humanitária decorrente dos combates é tida como o mais grave do mundo. Em virtude dos combates, cerca de dois milhões de civis migraram para centenas de alojamentos improvisados no meio do deserto. O acesso a alimentos e água potável é escasso.

Conteúdo adaptado do material publicado originalmente pela ONU News

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