Com retorno de tropas do Líbano, Brasil extingue missões na ONU após 21 anos

O retorno de 200 boinas-azuis da Missão da ONU do Líbano encerra a participação do Brasil em forças de paz
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A cerimônia de despedida de 200 boinas-azuis brasileiros no Líbano, nesta quarta (2), após a retirada das tropas de paz no país, anuncia também uma ruptura na diplomacia do Brasil.

Com o retorno, Brasília encerra a participação em missões de paz da ONU (Organização das Nações Unidas) após 21 anos de operação ininterrupta. Já a caminho de casa, o contingente desfalca a proteção das fronteiras do Líbano, onde atuou por cerca de dez anos.

O Brasil servia à Unifil (Missão de Paz no Líbano), a única força de paz marítima da ONU (Organização das Nações Unidas) e ocupava o comando da Força-Tarefa Marítima – setor que ajudou a estruturar com outros 15 países.

Com retorno de tropas do Líbano, Brasil extingue missão na ONU após 21 anos
Forças brasileiras na Missão de Paz da ONU no Líbano, em 2018 (Foto: UN Photo/Unifil)

O fim das operações da Fragata Independência, com o navio Capitânia, vem na esteira do crescente isolamento internacional do Palácio do Itamaraty. Com críticas à ONU, o ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, já se mostrou hostil ao multilateralismo.

Em agosto, uma fonte do governo falou à CNN que Brasília cogitava encerrar a missão. Os motivos envolvem os recursos escassos da Marinha brasileira e a expectativa de “reconfiguração” no Líbano após a trágica explosão do porto de Beirute.

“Os navios que vão para lá têm mais de 40 anos, há um esforço logístico enorme e há outras áreas prioritárias para o Brasil”, disse.

Sem as tropas do Brasil, militares de Bangladesh, Alemanha, Grécia, Indonésia e Turquia se encarregarão das tarefas marítimas com cinco navios e cerca de 800 tripulantes, disse a ONU. Os soldados brasileiros devem chegar ao país em janeiro.

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