ONU: Prioridade no Iêmen é evitar fome generalizada, diz alto comissário

ONU alerta para efeitos negativos da decisão dos EUA em classificar o grupo Ansarallah como entidade terrorista
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin
Share on email

Este conteúdo foi publicado originalmente na agência ONU News, da Organização das Nações Unidas

O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, disse ao Conselho de Segurança que a prioridade mais urgente no Iêmen agora é evitar uma fome massiva. 

Os dados mostram que 16 milhões passarão fome em 2021. Cerca de 50 mil pessoas já estão nesta situação. Outros 5 milhões já se encontram na iminência de fome. 

A preocupação é sobre a decisão dos EUA de incluir o grupo Ansar Allah, também conhecido como houthi, como entidade terrorista. A medida deve começar a vigorar nesta terça (19).

Durante meses, as agências humanitárias se opuseram à medida, pois acreditam que isso deve acelerar a fome no Iêmen em uma grande escala.

ONU: Prioridade no Iêmen é evitar fome massiva, diz alto comissário
No Iêmen, 80% da população precisa de ajuda humanitária (Foto: Mark Lowcock/Twitter)

Iêmen importa 90% dos alimentos

O Iêmen importa 90% de seus alimentos e quase toda a comida entra no país por canais comerciais, apontou Lowcock. Além disso, as agências de ajuda não podem substituir esse sistema de importação. 

Nos últimos meses, o Ocha (Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários) conversou com comerciantes para entender o possível impacto da decisão dos Estados Unidos.  

“Vários empreendedores afirmaram que não há certeza se conseguiriam continuar importando alimentos nessas circunstâncias”, relatou Lowcock. Muitos iemenitas já lotam mercados e lojas para estocar tudo que podem. As famílias têm medo de ficar sem alimentos.  

Conforme Lowcock, alguns fornecedores, bancos, seguradoras e transportadores já afirmaram que pretendem sair do Iêmen por temer o alto risco. Se confirmado, a escala de fome pode ser a maior em 40 anos.

Financiamento 

Em 2020, a ONU recebeu US$ 1,7 bilhão para seu plano de resposta, cerca de metade do que precisava. E menos da metade do que recebeu em 2019.  

Em anos anteriores, a operação ajudava 13,5 milhões de pessoas todos os meses, mas agora está ajudando pouco mais de 9 milhões. Menos dinheiro significa interromper programas importantes, incluindo ajuda alimentar.  

Mark Lowcock também informou que a ONU (Organização das Nações Unidas) lançará o plano de resposta 2021 em fevereiro. O método será semelhante ao plano de 2020, com cerca de US$ 3,4 bilhões previstos.  

Tags: