França e ONU reúnem ajuda e insistem em reforma política no Líbano

Impasse político já bloqueou bilhões de dólares em assistência ao Líbano; instituições anunciaram criação de fundo
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A ajuda humanitária ao Líbano deve continuar, mas é urgente que os líderes do país formem um novo governo. A exigência veio da França e da ONU (Organização das Nações Unidas) nesta quarta (2).

O pedido parte da segunda videoconferência realizada desde a explosão do porto de Beirute, em 4 de agosto. Segundo as instituições, o impasse político do país já bloqueou bilhões de dólares em assistência à nação em crise.

Na reunião, França e ONU anunciaram a criação de um fundo de apoio ao Líbano para alimentação, saúde, educação e reconstrução do porto de Beirute. Entidades como Banco Mundial, ONU e União Europeia administrarão a carteira.

França e ONU reúnem ajuda e insistem em reforma política no Líbano
O único espaço de armazenamento de grãos do Líbano foi completamente destruído pela explosão do porto de Beirute, em 4 de agosto de 2020 (Foto: UN Photo/Pasqual Gorriz)

Em contrapartida, o Líbano deverá promover reformas para garantir uma “recuperação rápida”, disse o presidente francês Emmanuel Macron, como registrou a Associated Press. “A ajuda não substituirá esse compromisso”.

Em sua fala, Macron deixou claro que a ausência de reformas políticas pode barrar a ajuda econômica internacional de longo prazo.

Dividido entre muçulmanos xiitas e sunitas, cristãos maronitas, coptas e ortodoxos e drusos e alauítas, apenas os maiores grupos, muçulmanos, cristãos e drusos têm representação partidária.

A complexa divisão sectária do Estado libanês é um elemento essencial da identidade moderna do país e deixa pouco espaço para grupos independentes na política local.

Estado paralisado

A França, anriga metrópole que assumiu o auxílio do Líbano desde a explosão, não tem tido sucesso ao exigir mudanças. Em suas diversas visitas recentes ao país, Macron resume os apelos a frustração. “Não há cumprimento dos compromissos”, disse.

Nesta terça (1), um relatório do Banco Mundial alertou para uma depressão “árdua e prolongada” ao país. Em projeção, o PIB (Produto Interno Bruto) deve cair até 20%.

Em resposta, o presidente libanês Michel Aoun afirmou que o país negocia um empréstimo de US$ 246 milhões com o Banco Mundial para lidar com as consequências econômicas.

Já o atual primeiro-ministro, Saad Hariri – o terceiro a assumir o cargo em 2020 – tenta dar início a um novo governo desde outubro. Hariri foi reconduzido ao cargo neste ano após renunciar em 2019, com o país tomado por protestos.

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