Taleban proíbe a rede social TikTok no Afeganistão e bane jogo de videogame

Porta-voz talibã diz que rede social e jogo PlayerUnknown's Battlegrounds "enganam a geração mais jovem" e são "imorais"

O Taleban anunciou na última quinta-feira (21) que a rede social TikTok foi banida no Afeganistão. Paralelamente, também foi proibido no país o jogo de videogame PlayerUnknown’s Battlegrounds (PUBG), segundo informações da revista Newsweek.

Á proibição foi confirmada através do Twitter por Inamullah Samangani, porta-voz do Taleban. “Decisão do gabinete: o Ministério das Comunicações e Tecnologia da Informação é obrigado a bloquear jogos de PUBG e um aplicativo chamado TikTok, que enganam a geração mais jovem. Assim, evitamos ao máximo as publicações em um canal que publica material e programas imorais”.

Embora os talibãs tenham imposto inúmeras restrições à população local desde que assumiram o poder, em agosto do ano passado, este é o primeiro caso de uma rede social banida no país. A repressão tem atingido sobretudo as mulheres, impedidas de se locomoverem desacompanhadas de um homem e de frequentarem a escola.

Ao anunciarem o veto ao TikTok, os talibãs não informaram se ele teria efeito imediato, nem se seria temporário ou definitivo. Samangani afirmou à rede Bloomberg que a proibição ocorre porque a rede social promove “conteúdo imundo e não consistente com as leis islâmicas”.

“Recebemos muitas reclamações sobre como o aplicativo TikTok e o jogo PUBG estão desperdiçando o tempo das pessoas”, afirmou o porta-voz. “O Ministério das Comunicações e Tecnologia da Informação recebeu ordens para remover os aplicativos dos servidores de internet e torná-los inacessíveis a todos no Afeganistão”.

Tik Tok, rede social originária da China (Foto: Pixabay)

Por que isso importa?

A China, de onde o TikTok é originário, tem sido um dos país mais próximos do Taleban desde que os radicais chegaram ao poder. Embora não tenha reconhecido oficialmente os talibãs como governantes legítimos do Afeganistão, Beijing já deixou claro que pretende firmar acordos comerciais com o país do Oriente Médio.

Enquanto o reconhecimento formal ao governo talibã não vem, o Afeganistão continua marginalizado da comunidade internacional, justamente em razão das acusações de abusos dos direitos humanos e da forte repressão, sobretudo contra mulheres.

Mais que legitimar os talibãs internacionalmente, o reconhecimento fortaleceria financeiramente um país pobre e sem perspectiva imediata de gerar riqueza. Em meio à crise profunda que os afegãos enfrentam, os Estados Unidos liberaram para ajuda humanitária., em fevereiro de 2022, US$ 3,5 bilhões em ativos congelados do Banco Central do Afeganistão em solo norte-americano.

Quando o governo afegão se dissolveu, com altos funcionários deixando o país, incluindo o presidente e o governador interino do banco central, deixou para trás pouco mais de US$ 7 bilhões em ativos depositados no Federal Reserve Bank dos EUA. Como não estava mais claro quem tinha autoridade legal para obter acesso a essa conta, o Fed tornou os fundos indisponíveis para saque.

Washington congelou os fundos afegãos mantidos nos EUA após o grupo islâmico ascender ao poder, em agosto do ano passado. Ultimamente, o governo Biden vinha sendo pressionado a disponibilizar o dinheiro sem reconhecer o regime do Taleban, que alega ser o dono do dinheiro. O valor, então, acabou liberado, com a outra metade destinada a pagar indenizações às vítimas dos ataques de 11 de setembro.

O Afeganistão tem mais US$ 2 bilhões em reservas, depositados em países como Reino Unido, Alemanha, Suíça e Emirados Árabes Unidos. A maioria desses fundos também está congelada. Autoridades norte-americanas relataram ter entrado em contato com aliados para detalhar sua iniciativa, mas Washington foi o primeiro a oferecer um plano sobre como usar os ativos congelados para auxiliar o povo afegão.

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