Europa

Reino Unido deve atualizar leis para conter influência externa, diz ex-MI6

Christopher Steele é autor do dossiê de 2017 que investigou supostos laços entre Donald Trump e Vladimir Putin

O ex-espião da agência de inteligência britânica MI6 Christopher Steele alertou o Reino Unido sobreo que vê como uma “urgência de atualizar as leis” do país para barrar a influência de países estrangeiros.

Steele, que é autor do dossiê lançado em 2017 sobre supostas ligações entre Donald Trump e Vladimir Putin, afirmou à BBC que o Reino Unido não possui uma lei adequada para conter agentes externos.

Conforme o ex-oficial, o registro de pessoas que trabalham em nome de outros países dentro do Reino Unido seria uma medida essencial. Leis semelhantes já garantem a documentação desses estrangeiros nos EUA e na Austrália.

Reino Unido precisa atualizar leis para conter influência externa, diz ex-MI6
Prédio do governo do Reino Unido, em Westminster, Londres, em registro de fevereiro de 2008 (Foto: Divulgação/Steve Cadman)

“Corre o boato de que somos pouco delicados e não temos reguladores e nem legislação atualizada ou adequada para esse propósito”, afirma Steele. Em resposta, o ministério do Interior britânico prometeu implantar um sistema do tipo “no futuro”.

O ex-espião não deu detalhes, mas defendeu que o arcabouço jurídico do Reino Unido contra a “influência estrangeira na vida pública” está em uma “situação pior” do que o dos EUA.

“Washington tem legislação para perseguir quem trabalha secretamente em outras nações”, disse. Um exemplo é a Lei de Registro de Agente Estrangeiro, modelo para o dispositivo aprovado recentemente na Austrália. “Estamos muito atrás de nossos aliados”, pontuou.

Ameaças atualizadas

Diferente da espionagem tradicional, Steele garante que os países já não enviam mais “agentes secretos” para roubar segredos dos governos. As operações ocorrem por meio de pessoas em posições de influência, e que servem às agendas de governos estrangeiros sem revelarem seus reais interesses.

A Rússia e a China são os países que mais preocupam, disse. Moscou tem como objetivo fazer lobby para manter russos fora das listas de sanções e disfarçar personagens obscuros por trás de negócios feitos no Reino Unido. Já a influência da China é mais difusa, em geral concentrada nas universidades e outros círculos acadêmicos.