Polícia romana retira da embaixada afegã suposto diplomata nomeado pelo Taleban

Diplomata havia sido recentemente demitido sob alegação de "falta de compromisso com os valores nacionais e os valores do Afeganistão"
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Um ex-diplomata afegão entrou na sede da embaixada do Afeganistão em Roma, na terça-feira (4), e agrediu o embaixador, obrigando o departamento a chamar a polícia italiana. Ele alegou ter sido nomeado para o cargo por militantes do Taleban. As informações são da Radio Free Europe.

Em um comunicado, a embaixada afegã relatou que Mohammad Fahim Kashaf, um diplomata designado pelo governo anterior, havia sido recentemente afastado do emprego pela sua “falta de compromisso com os valores nacionais e os valores da República Islâmica do Afeganistão”.

A nota oficial ainda detalhou que, após entrar no prédio, Kashaf “atacou o embaixador na presença de um funcionário, que se defendeu e chamou a polícia italiana”. O agressor foi escoltado para fora das dependências do órgão diplomático.

Sede da Embaixada do Afeganistão em Roma (Foto: Embassy of Afghanistan in Rome/Reprodução Facebook)

República Islâmica do Afeganistão é o nome do país reconhecido internacionalmente. O grupo extremista se refere à nação como Emirado Islâmico do Afeganistão.

A exemplo de outras missões diplomáticas do Afeganistão pelo mundo, a embaixada na Itália permanece no limbo, com a maioria dos funcionários ainda leais ao governo apoiado pelo Ocidente e destituído pelos talibãs após a retirada das tropas dos EUA e aliados, em agosto de 2021.

Abdul Qahar Balkhi, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Taleban, negou tanto a nomeação de Kashaf como embaixador quanto seu afastamento do cargo. Segundo ele, registros da pasta apontam que o protagonista do incidente em Roma foi nomeado primeiro secretário da embaixada na Itália em dezembro de 2020, e seu contrato seria válido até dezembro de 2023.

“O contrato de Kashaf é válido e sua rescisão é ilegal. Mas o ministério não o nomeou embaixador da Embaixada do Afeganistão em Roma”, disse Balkhi em um comunicado.

O governo liderado pelo Taleban, que não é legitimado pela comunidade internacional, não nomeou novos representantes diplomáticos para a maioria das missões afegãs no exterior.

Por que isso importa?

Em dezembro de 2021, uma Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) adiou indeterminadamente o reconhecimento do Taleban como governo afegão legítimo.

O anúncio da resolução significa que a organização islâmica não será autorizada a entrar no organismo intergovernamental. A aceitação dos talibãs na ONU é tida como um passo fundamental pela nação em busca do reconhecimento da comunidade internacional.

O Taleban, desde que assumiu o poder no dia 15 de agosto, busca reconhecimento internacional como governo de fato do que chama de “Emirado Islâmico“. O grupo chegou a se reunir com autoridades da ONU a fim de garantir que a assistência humanitária seja mantida no país.

Entretanto, as acusações de abusos dos direitos humanos e de repressão, sobretudo contra as mulheres, afastam cada vez mais o governo talibã da comunidade internacional. Tanto que, até agora, nenhuma nação reconheceu formalmente o Taleban como poder legítimo no país, apesar da aproximação com países como China e Paquistão.

Mais do que legitimar os talibãs internacionalmente, o reconhecimento é crucial para fortalecer financeiramente um país pobre e sem perspectivas imediatas de gerar riqueza.

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