A China voltou ao centro do debate global sobre segurança digital após a declaração de que teria desenvolvido uma chamada “arma cibernética nuclear” baseada em inteligência artificial. A afirmação foi feita por Zhou Hongyi, fundador da Qihoo 360, durante uma conferência sobre segurança da internet no país. As informações são do Yahoo News.
Segundo Zhou, a empresa teria criado um sistema de IA com capacidades semelhantes às do Claude Mythos, tecnologia desenvolvida pela Anthropic, conhecida por seu uso avançado na detecção de vulnerabilidades em softwares.

O executivo descreveu o sistema chinês, chamado Tulongfeng, como uma “versão do Mythos”, capaz de identificar falhas de segurança em grande escala e potencialmente apoiar operações ofensivas e defensivas no campo cibernético.
As afirmações de Zhou não foram verificadas por fontes independentes. Ainda assim, especialistas em segurança digital alertam que o avanço de sistemas de IA aplicados à cibersegurança é uma tendência global e com potencial de impacto significativo em ataques e defesas digitais.
A empresa Qihoo 360 já está sob sanções dos Estados Unidos desde 2020, sob alegações de vínculos com o setor militar chinês. O governo norte-americano também acusa a companhia de atuar dentro de uma lógica de “fusão civil-militar” ligada ao ecossistema de defesa da China.
A empresa nega as acusações.
Corrida tecnológica
A discussão ocorre em meio ao aumento das tensões entre potências globais sobre o uso militar da inteligência artificial. A aliança de inteligência Five Eyes alertou recentemente que ataques cibernéticos baseados em IA podem se tornar altamente destrutivos em um curto espaço de tempo.
Segundo o grupo, o prazo para que esse tipo de tecnologia seja utilizado em larga escala “não é de anos, mas de meses”.
O alerta reforça preocupações de governos ocidentais sobre o uso de IA para exploração automática de vulnerabilidades, o que poderia acelerar ataques contra infraestruturas críticas, empresas e sistemas governamentais.
O que é o Claude Mythos
O sistema Claude Mythos, citado por Zhou, teria sido desenvolvido para identificar milhares de falhas de software desconhecidas e auxiliar na segurança digital. De acordo com a Anthropic, o modelo foi inicialmente restrito por preocupações com seu potencial de uso indevido.
Posteriormente, teria sido disponibilizado a clientes selecionados e testado por agências de segurança dos Estados Unidos, incluindo a NSA, agência responsável por inteligência cibernética.
Mais tarde, o sistema teria sido retirado de circulação após restrições de exportação impostas pelo governo dos EUA.
Disputa tecnológica
O caso também se insere em um cenário mais amplo de competição tecnológica entre Estados Unidos e China. Empresas de IA ocidentais acusam companhias chinesas de tentar reproduzir modelos avançados por meio de técnicas de “destilação”, que buscam extrair conhecimento de sistemas já existentes.
A Anthropic chegou a acusar a Alibaba de tentar replicar seu sistema Claude por meio de grandes volumes de consultas automatizadas, em uma possível tentativa de engenharia reversa.
“Nova corrida armamentista digital”
Zhou Hongyi afirmou que o desenvolvimento de sistemas de IA cibernética pode ser comparado a uma nova corrida armamentista.
“Antes, as armas nucleares eram um instrumento de dissuasão estratégica. No futuro, a capacidade de encontrar vulnerabilidades pode se tornar a nova dissuasão estratégica”, declarou.