Chefe de missão da ONU cita abusos no Mali e pede recursos para combater o extremismo

Minusma tenta conter a deterioração da situação de segurança no país, mas se diz prejudicada pela falta de vontade política
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O chefe da Missão de Estabilização Integrada Multidimensional das Nações Unidas no Mali (Minusma), El-Ghassim Wane, afirmou na quinta-feira (7) que faltam recursos adequados para que a missão cumpra seu mandato e atenda à crescente demanda para conter a deterioração da situação de segurança no norte e no centro do país.

“Pelo bem do povo malinês, a Minusma deve receber todos os recursos necessários para fechar a lacuna entre o que é obrigado a fazer e o que realmente pode fazer”, disse ele.

Segundo Wane, vários ataques do Estado Islâmico no Grande Saara (EIGS) em torno de Menaka, no leste, e também no sul, perto de Gao, levaram à morte de 40 civis e ao deslocamento de 3.640 famílias. Em resposta, a Minusma intensificou suas patrulhas para permitir a mobilização das forças de segurança.

Ao sul de Gao, combatentes jihadistas do grupo armado continuam seus ataques em Tessit, inclusive contra as forças armadas do Mali.

A missão da ONU mobilizou três unidades móveis de força-tarefa entre Ansongo, Labezanga e Tessit, enquanto outra unidade está agora patrulhando a fronteira com o Níger, além de uma que faz o mesmo no lado leste do rio Níger.

Sublinhando que os incidentes de segurança ocorrem no contexto da retirada das forças antiterroristas francesas e outras europeias, Wane disse ser imperativo manter os níveis de tropas e encontrar soluções para os desafios da capacidade insuficiente.

Membros da operação de paz da ONU no Mali (Foto: Minusma/Gema Cortes)

Referindo-se a relatos de graves abusos de direitos humanos contra civis durante a operação antiterrorista das forças armadas malianas em Moura, ele ressaltou a necessidade de as autoridades malianas cooperarem com a Missão para que ela possa acessar o local das supostas violações.

De maneira mais geral, a missão da ONU abriu 17 investigações sobre alegações de ataques indiscriminados contra civis, prisões extrajudiciais, maus-tratos, desaparecimentos forçados e execuções extrajudiciais.

Na frente política, ele disse que “nenhum progresso tangível” foi feito no processo de paz. Em vez disso, os últimos três meses foram marcados por “ações e retórica preocupantes” que contrariam o espírito do acordo de paz de 2015.

A transição política de 18 meses após o golpe de Estado de agosto de 2020 deve terminar em março, disse ele, acrescentando que a não conclusão da transição levou a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) a impor sanções econômicas e financeiras contra Mali em janeiro passado.

Um acordo sobre a transição permitiria o levantamento das sanções e criaria um ambiente mais propício para buscar a estabilidade em todo o Mali, disse ele. Há um “forte anseio por paz e melhor governança”, disse ele, exortando os atores políticos a internalizar esse sentimento e corresponder às expectativas de seu povo.

Conteúdo adaptado do material publicado originalmente em inglês pela ONU News

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