África

Mais de 30 soldados são mortos em ataque jihadista no norte do Mali

Cerca de 100 homens armados avançaram sobre um posto policial de Tessit, na fronteira entre Mali, Níger e Burkina Faso

Um ataque a um posto militar em Tessit, na região da tríplice fronteira do Mali com Burkina Faso e Níger, matou 33 soldados e deixou outros 14 feridos nesta quarta (14), informou o Exército malinês à Al-Jazeera.

Cerca de 100 homens armados avançaram sobre o local com camionetes e motocicletas. Ao menos 20 agressores foram mortos, mas nenhum grupo reivindicou a autoria do ataque até o momento.

O ataque aos soldados do Mali é o segundo massacre da semana na região fronteiriça, cujo pano de fundo é a onda jihadista que tomou o Sahel Central. Na terça (16), homens armados mataram 58 civis na localidade de Tillaberi, no sudoeste do Níger. Os criminosos teriam interceptado um comboio que voltava de um mercado em uma vila próxima.

O episódio é mais um capítulo da escalada da violência no Mali, que viu as disputas separatistas do norte se espalharem para todo o país. Diferentes grupos armados ligados ao EI (Estado Islâmico) e Al-Qaeda disputam o controle de territórios e incensam conflitos entre grupos étnicos.

Mais de 30 soldados são mortos em escalada de violência no Mali
Criança deslocada se recupera de ataque violento no campo de refugiados de Sévaré, em Mopti, Mali, junho de 2019 (Foto: Unicef/Patrick Rose)

Onda de violência

Dados da ONU (Organização das Nações Unidas), apontam que os ataques aumentaram até cinco vezes entre 2016 e 2020. Ao menos quatro mil civis foram mortos na região da tríplice fronteira no ano passado. Há quatro anos, o número de vítimas foi de 770.

Um número cada vez maior dos líderes terroristas da África Subsaariana já teve ou tem relação com o EI e Al-Qaeda do Iraque e da Síria. Uma pesquisa do Índice Global de Terrorismo, vinculado ao Instituto para a Economia e para a Paz, aponta que a região é o novo ponto focal do terrorismo do EI desde 2019. Os ataques no Sahel cresceram 67% desde então.

Países como a Turquia têm investido pesado na contenção dos extremistas. Em Istambul, a política deteve oito membros do EI, segundo informações do jornal turco “Daily Sabah”. Forças policiais identificaram diversos documentos e materiais digitais durante a operação. O grupo teria passado longos períodos no Iraque e na Síria em busca de recursos e novos combatentes.

No Brasil

Casos mostram que o país é um “porto seguro” para extremistas. Em dezembro de 2013, um levantamento do site The Brazil Business indicava a presença de ao menos sete organizações terroristas no Brasil: Al Qaeda, Jihad Media Battalion, Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica, Al-Gama’a Al-Islamiyya e Grupo Combatente Islâmico Marroquino. Em 2001, uma investigação da revista VEJA mostrou que 20 membros terroristas de Al-Qaeda, Hamas e Hezbollah viviam no país, disseminando propaganda terrorista, coletando dinheiro, recrutando novos membros e planejando atos violentos. Em 2016, duas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos no Rio, a PF prendeu um grupo jihadista islâmico que planejava atentados semelhantes aos dos Jogos de Munique em 1972. Dez suspeitos de serem aliados ao Estado Islâmico foram presos e dois fugiram. Saiba mais.