Américas

Canadá dá indireta à China e pede parceiros ‘confiáveis’ na área de inteligência artificial

Declaração do ministro da Indústria do país, François-Philippe Champagne, soou como um forte sinal de rejeição à China

Ao declarar à imprensa que o Canadá só quer negociar com “parceiros de confiança” em iniciativas de inteligência artificial (IA) no futuro, o ministro da Indústria do país, François-Philippe Champagne, mandou um recado velado à China sobre a possível rejeição à Huawei como fornecedora de 5G no país. As informações são do portal CKPG Today.

O forte sinal emitido pela autoridade governamental vem na esteira da solução dos casos de Michael Spavor e Michael Kovrig, cidadãos canadenses detidos na China logo após a prisão de Meng Wanzhou, executiva da Huawei acusada pelos EUA de espionagem industrial. O incidente diplomático é uma das razões de Ottawa para adiar a decisão sobre as empresas que se tornarão as provedores da rede de internet 5G alimentada por IA.

François-Philippe Champagne, ministro da Indústria do Canadá (Foto: Latvian Foreign Ministry/Flickr)

Spavor e Kovrig foram libertados em setembro, após mais de mil dias de cárcere e muitas manifestações pelas suas solturas em diversas partes do Canadá e mesmo em cidades de outros países, como Bruxelas, na Bélgica, Nova York e Washington, nos Estados Unidos, e Seul, na Coreia do Sul. A executiva, por sua vez, foi libertada e retornou à China, após um acordo que envolveu também os Estados Unidos, que pediam a extradição dela.

Champagne declarou aos jornalistas que espera que a decisão 5G do Canadá chegue dentro de algumas semanas, logo após o retorno formal ao Parlamento, no dia 22 de novembro. Segundo ele, “a segurança nacional vem em primeiro lugar”, à medida que o Canadá avança com “parceiros confiáveis” ​​na colaboração de inteligência artificial, tecnologia que “deve transformar a vida cotidiana”.

Por que isso importa?

A Huawei tem enfrentado uma crescente desconfiança na construção de redes 5G em todo o mundo, com a implantação rejeitada em vários países. Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos e Reino Unido já baniram a infraestrutura da fabricante em seu território por medo de que a China pudesse usá-la para espionagem

No 5G, que tornou-se ferramenta de pressão geopolítica, os riscos de segurança são mais elevados. Isso porque a nova tecnologia incorpora softwares responsáveis por um processamento dos dados pessoais dos clientes e outras informações confidenciais.

A decisão de utilizar ou não a Huawei nas redes móveis põe a Europa no fogo cruzado da intensa pressão dos Estados Unidos para banir o grupo. Washington alega potencial de vazamento de dados e outras brechas de segurança em benefício do governo chinês.