Venezuela usa Covid-19 como pretexto para perseguir oponentes, diz relatório

Entre março e junho, mais de 160 casos de abuso físico de autoridades contra ativistas foram denunciados no país
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As forças da Venezuela têm usado o coronavírus como pretexto para perseguir oponentes e aumentar a repressão sobre a dissidência, informou relatório da HRW (Human Rights Watch) publicado na última sexta (28).

Entre março e junho deste ano, a organização reportou 162 casos de abuso físico contra membros da oposição. De acordo com o relatório, as ações realizadas pelas autoridades venezuelanas “beiram a tortura”.

Os principais alvos são jornalistas, profissionais da saúde, advogados de direitos humanos e oponentes políticos. Basta discordar das ações tomadas pelo governo de Nicolás Maduro no combate à pandemia.

Forças da Venezuela usam Covid-19 para perseguir oponentes, diz relatório
Mulheres em Caracas, capital da Venezuela, em março de 2020 (Foto: Pixabay/Rafael Urdaneta)

“O estado de emergência encorajou as forças de segurança e grupos armados pró-governo, que já têm um histórico de tortura e mortes extrajudiciais, para reprimir ainda mais os venezuelanos”, disse o diretor das Américas da HRW, José Miguel Vivanco.

A repressão frequente nas redes sociais, agora se estendeu para mensagens privadas. “Você não pode compartilhar críticas ao governo de Maduro via WhatsApp sem medo de ser processado”, completou Vivanco.

Questionado sobre os abusos pela Associated Press, o Ministério das Comunicações da Venezuela não se manifestou.

A Venezuela instituiu medidas de emergência desde o registro do primeiro caso, em março. Com o fechamento, a pandemia acabou por agravar a crise já acentuada pelo isolamento do país no cenário internacional.

Nesta terça (1), o levantamento da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, aponta que a Venezuela possui cerca de 390 mortes e mais de 46,7 mil casos confirmados. O número tende a ser maior, já que o país vive grave subnotificação.

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