Américas

Justiça britânica bloqueia ouro venezuelano depositado em Londres

Governo de Nicolás Maduro quer a retirada de cerca de US$ 1 bilhão do ouro que está no banco central da Inglaterra

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O juiz da Suprema Corte do Reino Unido Nigel Teare reconheceu nesta quinta (2) Juan Guaidó como o governante legítimo da Venezuela, o que bloqueia a retirada das reservas de ouro depositadas pelo país no Banco da Inglaterra.

O BC venezuelano solicitou a transferência de cerca de US$ 1 bilhão do ouro que está no Bank of England. O valor seria usado na compra de alimentos e medicamentos pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) que auxiliariam a resposta à pandemia do novo coronavírus.

Em comunicado, o governo interino comemorou a decisão, que afirmou demonstrar “o valor de um judiciário verdadeiramente independente”. Já o governo de Nicolás Maduro considerou como “absurda e insólita” a decisão da justiça britânica.

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O presidente venezuelano Nicolás Maduro, cujo governo reclama a posse do dinheiro (Foto: UN Photo)

O banco central do país afirmou que irá recorrer imediatamente da decisão do tribunal inglês, que “pretende privar o povo venezuelano do ouro tão urgentemente necessário para enfrentar a pandemia do Covid-19”.

Em maio deste ano, Maduro entrou com um uma ação judicial contra o banco central britânico, o Bank of England, após a recusa da instituição financeira em liberar o ouro venezuelano em seus cofres.

De quem é o dinheiro?

Caracas tenta acessar a reserva para aliviar a crise econômica no país. O PIB do país encolheu cerca de 60% desde que Maduro assumiu o poder, há sete anos. A produção de petróleo caiu para níveis não vistos desde os anos 1940. As sanções impostas pelos EUA também agravam a crise.

A negativa seria justificada pelo fato de que o governo britânico, com outros 60 países, não reconhecem Maduro como líder legítimo da Venezuela. O argumento dessas nações, que incluem EUA e Brasil, seria a manipulação das eleições presidenciais de 2018.