No México, ambulâncias irregulares se proliferam durante pandemia

Sem equipamentos ou equipes treinadas, veículos piratas cobram até US$ 350 para o transporte das vítimas
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A pandemia reforçou o sistema irregular de ambulâncias piratas no México, denunciou a Associated Press, em reportagem da última quarta (16). O transporte hospitalar ilegal já era comum, mas ficou mais caro após a explosão de casos de Covid-19 no país.

O esquema se aproveita do desespero das vítimas para interferir nas linhas de emergência gratuitas e cobrar quantias exorbitantes para efetuar o trânsito até clínicas irregulares, tudo regado a propina.

Os criminosos chegam a mentir sobre o estado de saúde dos pacientes, revelam testemunhas que falaram com a agência de notícias.

Uma das vítimas foi Manuel Briseño, 78, doente após contágio pelo novo coronavírus. Ao solicitar uma ambulância gratuita pelo número de emergência, um veículo pirata apareceu antes que o oficial.

Ambulâncias piratas são quase idênticas a originais, como essa na foto, flagrada na cidade de Santa Ana, no distrito mexicano de Tlaxacala, em novembro de 2016 (Foto: Flickr/Paul Sullivan)

“Eles aproveitam a sua dor para ganhar dinheiro”, disse o filho Gustavo Briseño. Segundo ele, a ambulância pirata cobrou US$ 350 (R$ 1,9 mil) para transportar o idoso ao hospital mais próximo.

A professora Rachel Sieder, da Cidade do México, pagou o mesmo valor depois que sua amiga sofreu um ataque epilético, no dia 11 de agosto. Antes da pandemia, os preços variavam entre US$ 100 e US$ 250.

Beneficiamento criminoso

As ambulâncias piratas não se beneficiam apenas dos preços abusivos. Sem qualquer equipamento ou equipe especializada, os veículos irregulares utilizam medicamentos vencidos e mentem sobre o real estado de saúde dos pacientes.

No caso de Rachel, por exemplo, os supostos enfermeiros afirmaram que a pressão arterial da paciente havia disparado, o que não foi confirmado no atendimento hospitalar.

Além disso, muitas das ambulâncias irregulares trabalham em conluio com clínicas privadas, que pagam propina a cada novo paciente.

Em 2018, uma inspeção identificou que a grande maioria dos 2,2 mil veículos privados não-registrados da Cidade do México foram “simplesmente pintados” para parecerem ambulâncias. O Ministério de Saúde do México pediu que a população evite esses serviços.

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