Walmart mira mercado de remessas de imigrantes dos EUA para o México

País foi pouco afetado pela diminuição nas remessas de emigrados desde o início da pandemia
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A rede de supermercados norte-americana Walmart está de olho em parte dos US$ 39 bilhões em remessas que os mexicanos emigrados para os EUA enviam para seus familiares por ano.

O valor representa quase 3% do PIB (Produto Interno Bruto) do México, e a vasta maioria vem dos EUA: apenas US$ 4 bilhões anuais em remessas rumo às famílias mexicanas saem de outros países.

O país foi um dos menos afetados pelo fluxo de dinheiro que sai de nações ricas desde o início da pandemia. A queda foi de apenas 2%, segundo estimativas divulgadas neste domingo (6) pela Ocha (Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários).

O serviço do Walmart será realizado por meio do Cashi, um aplicativo de pagamentos digitais lançado no México em 2018, informou o portal norte-americano Quartz.

Unidade do Walmart em Commerce, no Texas (EUA), em imagem de agosto de 2015 (Foto: Wikimedia Commons)

Além dos pagamentos e do envio de remessas a custos mais baixos, a gigante varejista pretende oferecer serviços de fintech, como empréstimos, checkout expresso e benefícios para clientes. Assim, a pessoa recebe e gasta o dinheiro em um só lugar.

A empresa tem como meta deixar de depender de parceiros, como as instituições financeiras especializadas em transferências Western Union, Uniteller e MoneyGram.

O Walmart não divulga dados desagregados por país, mas movimentou US$ 120 bilhões em suas operações no exterior em 2019.

Mercado lucrativo

O Walmart não é a única gigante interessada no mercado de remessas. Fintechs norte-americanas já trabalham com o objetivo de reduzir as taxas de envio, na média em 8% por movimentação. O Facebook promete, com sua nova criptomoeda, diminuir esses custos para o cliente.

Espera-se que a maior concorrência derrube os preços desse tipo de transação – que movimentou no mundo todo cerca de US$ 600 milhões por ano, segundo o Banco Mundial.

Um estudo divulgado em 2018 no VoxEU, portal do CEPR (Centro de Pesquisa em Política Econômica, em inglês) indica que, além do aumento da concorrência, as novas tecnologias e a educação financeira dos usuários podem ajudar a diminuir os custos de envio do dinheiro para casa.

Um dado chama atenção: para enviar as remessas, os imigrantes gastaram um total de US$ 30 bilhões em 2017 – quase o mesmo valor gasto pelos EUA em ajuda não militar no mesmo período. No ano anterior, o lucro da maior empresa do setor, Western Union, fora de US$ 250 milhões.

Em 2020, a queda total nos valores das remessas foi de 20%, segundo o Ocha. Enquanto o México sofreu pouca variação negativa, a Bolívia deixou de receber 70% dos valores, na comparação com 2019.

Em outros países, houve disparada recorde nas entradas em alguns meses: no Brasil, o recorde foi em agosto, com US$ 317,6 milhões.

Já em março, os recordistas foram Colômbia, com US$ 715,9 milhões, e México, com US$ 4 bilhões. Outubro foi o melhor mês da série histórica em El Salvador, quando registrou-se a chegada de US$ 571,4 milhões.

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