Ásia e Pacífico

Eleições em Singapura devem acontecer no dia 10 de julho

Governo marcou as eleições após considerar estável a situação da pandemia do coronavírus no país

Singapura irá às urnas no próximo dia 10, de acordo com o anúncio feito pela presidente Halimah Yacob nesta terça (23). A informação é do jornal “The Straits Times”.

Na próxima terça (30), serão realizadas as nomeações e os candidatos terão nove dias para fazer campanha, até o dia 9 de julho. Esta será a 13ª eleição direta no país desde a independência, em 1965.

As eleições foram convocadas após o governo considerar estável a situação da pandemia do novo coronavírus no país. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), até esta quarta (24), Singapura tinha 42 mil casos e 26 mortes.

As autoridades não quiseram adiar o pleito. A avaliação era a de que não há garantias de que a crise de saúde pública termine antes do fim do mandato da gestão atual, em abril de 2021.

Os comícios tradicionais não poderão ser realizados, devido às restrições de aglomeração, e os partidos também devem reduzir caminhadas pelas zonas eleitorais. 

Eleições em Singapura devem acontecer no dia 10 de julho
Vista de Singapura (Foto: Pexels/Reprodução)

Cada candidato terá tempo de campanha na televisão nacional. Haverá controle ainda nos locais de votação, com uso de equipamentos de proteção e zonas eleitorais especiais para quem está de quarentena.

Especialistas acreditam que as questões que mais se destacarão no debate eleitoral serão economia, emprego e o enfrentamento da pandemia do coronavírus no momento atual e no pós-crise.

Por causa do surto do Covid-19, a economia de Singapura, altamente dependente do comércio internacional, deve encolher 7% este ano. Essa seria a pior recessão desde a independência do país.

Peso pesado asiático

Sob a gestão do primeiro-ministro Lee Kuan Yew, que governou por 30 anos, a ilha de 6,2 milhões de habitantes se tornou uma das quatro economias dos chamados tigres asiáticos, junto com Hong Kong, Coreia do Sul e Taiwan.

Até hoje o partido criado por Lee governa Singapura, que tem um dos maiores PIBs do mundo. O país tem um modelo de desenvolvimento econômico voltado para o investimento estrangeiro direto, principalmente de multinacionais dos EUA.

O país é alvo de diversas críticas em relação aos direitos humanos. No ranking de Índice Mundial de Liberdade de Imprensa, Singapura está em 151º de 180 países.

Apesar das tentativas de repressão, as mídias sociais têm sido um instrumento essencial para dar voz à oposição e aumentar a competitividade de outros partidos nas eleições nacionais.

Parceira de EUA e China, Singapura precisa ainda lidar com as tensões entre as duas potências. A relação com os chineses, no entanto, tem sido mais conturbada ao longo do anos, como em questões ligadas a Taiwan.