Rede de tráfico humano explora mulheres e meninas vietnamitas na Arábia Saudita

Criminosos recrutam as vietnamitas para trabalharem como empregadas em residências sauditas, onde sofrem abuso sexual e muitos outros crimes
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Um grupo de especialistas em direitos humanos a serviço da ONU (Organização das Nações Unidas) denunciou nesta quinta-feira (4) uma rede de tráfico humano que opera impunemente no Vietnã e na Arábia Saudita. Os criminosos recrutam mulheres e meninas vietnamitas para trabalharem como empregadas em residências sauditas, onde são vítimas de abuso sexual, tortura e outros crimes.

“Estamos vendo traficantes visando mulheres e meninas vietnamitas que vivem na pobreza, muitas das quais já são vulneráveis ​​e marginalizadas. Os traficantes operam impunemente”, diz um comunicado divulgado pelo painel de observadores independentes.

Mulheres e meninas assinam contrato com empresas de recrutamento de mão de obra no Vietnã e são enviadas à Arábia Saudita, onde muitas são sexualmente abusadas, espancadas e submetidas a tortura e a outros tratamentos cruéis por parte dos empregadores. Frequentemente, não recebem alimentação nem tratamento médico, ganham salários menores que o estipulado em contrato ou mesmo ficam sem receber nada.

Riad, na Arábia Saudita: país é destino de trabalhadoras vietnamitas vítimas de uma rede de tráfico humano (Foto: Ekrem Osmanoglu/Unsplash)

“A Arábia Saudita deve colocar os trabalhadores domésticos migrantes sob a proteção de suas leis trabalhistas e estender as reformas de seu sistema de kafala a esses trabalhadores”, dizem os especialistas, referindo-se a um mecanismo usado para monitorar trabalhadores migrantes que atuam principalmente nos setores de construção e de serviços domésticos.

O grupo destacou “alegações verdadeiramente alarmantes” de que algumas empresas no Vietnã recrutam as trabalhadoras domésticas e falsificam a a idade delas em documentos, para esconder o fato de serem menores de idade.

Morte e impunidade

O caso mais alarmante citado pelos especialistas é o de uma menina de 15 anos espancada pelo empregador, que também negou-lhe alimentação e tratamento médico. Ela pretendia voltar para casa, mas morreu antes que pudesse embarcar no voo de volta. Como os documentos foram falsificados, a família ainda não recebeu o corpo.

Em menos de dois meses, entre 3 de setembro e 28 de outubro de 2021, quase 205 mulheres, muitas supostas vítimas de tráfico, foram repatriadas para o Vietnã. Os especialistas apelaram ao país do sudeste asiático para fortalecer os serviços de bem-estar e assistência prestados a essas mulheres, incluindo assistências jurídica, médica e psicossocial.

O grupo convocado pela ONU também cobra dos governos uma investigação imparcial e independente, incluindo alegações de envolvimento de autoridades públicas. “Lembramos ao Vietnã e à Arábia Saudita de suas obrigações legais internacionais de cooperar para combater o tráfico de pessoas, inclusive em investigações da justiça criminal, fornecimento de soluções eficazes e assistência às vítimas de tráfico”.

Conteúdo adaptado do material publicado originalmente em inglês pela ONU News

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