Apenas 7,3% dos moradores de Estocolmo tem anticorpos para Covid-19

Suécia aposta na imunidade de grupo para frear coronavírus no país, que não adotou medidas de restrição
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Um estudo realizado na Suécia descobriu que apenas 7,3% dos moradores de Estocolmo desenvolveram anticorpos para o novo coronavírus em abril.

O resultado acende alerta sobre a eficiência da estratégia de imunidade de rebanho. As informações são da agência de notícias Reuters.

Cerca de 1,1 mil testes foram levados em consideração no estudo. No entanto, apenas os números de Estocolmo foram divulgados pelo governo da Suécia.

A estratégia foi defendida pelo epidemiologista-chefe sueco Anders Tegnell.

Tegnell dividiu opiniões ao recomendar medidas voluntárias contra o vírus, ao invés de restrições obrigatórias como as impostas em outros países.

A decisão da Suécia manter a maioria das escolas, restaurantes, bares e empresas abertas gerou diversas críticas. O principal motivo foi a taxa de mortalidade, muito mais alta que nos vizinhos nórdicos.

Dados da OMS (Organização Mundial de Saúde) divulgados nesta quinta (21) mostram 30,7 mil casos confirmados do coronavírus na Suécia e 3,7 mil mortes. Já na vizinha Noruega, foram 8,2 mil casos registrados até agora e 233 óbitos.

Mesmo assim, o país apresentou índices menores que os vistos na França e Itália, por exemplo. O território francês soma 140 mil infecções e 27 mil mortes em decorrência do vírus. A Itália já registrou 226 mil casos confirmados e 32 mil mortes.

O número de pacientes de Covid-19 na UTI caiu um terço em relação ao pico do final de abril na Suécia, o que leva as autoridades sanitárias a afirmarem que o surto está diminuindo.

No entanto, o país registrou o maior número de mortes per capita na Europa nos últimos sete dias.

Apenas 7,3% dos moradores de Estocolmo possui anticorpos para Covid-19
Vista de Estocolmo, capital da Suécia (Foto: Edward Stojakovic/Flickr)

Imunidade de rebanho

O estudo divulgado na Suécia investigou o potencial de imunidade de rebanho. Trata-se de situação em que um número suficiente de pessoas em uma população desenvolve anticorpos contra uma infecção. Dessa forma, essas pessoas servem de “barreira” capaz de impedir a propagação da doença para os outros.

Os resultados contradizem modelos anteriores, que previam que um terço da população da capital sueca teria contraído o vírus até agora.

Esperava-se que alguma de imunidade de grupo, ainda que limitada, seria detectada, informou a agência de saúde sueca nesta quarta (20).

O epidemiologista-chefe sueco Anders Tegnell afirmou durante coletiva que o índice de 7,3% é um pouco menor do que esperado, mas apenas entre 1% e 2% abaixo.

O problema é que a imunidade de rebanho não foi testada para o novo coronavírus. A extensão e duração da imunidade entre os pacientes estudados também é incerta.

A agência de saúde aponta que a imunidade de grupo não é o objetivo principal. A estratégia é apenas frear a propagação do vírus para que o serviço de saúde do país não seja sobrecarregado.

O governo sueco entende que as medidas de restrição podem gerar novos surtos, à medida que as determinações de isolamento fossem flexibilizadas. Dessa forma, países que optaram por essa estratégia poderiam tornar-se mais suscetíveis a uma segunda onda do vírus.

A OMS alerta contra a imunidade de rebanho, alegando que estudos globais apontam que em apenas entre 1% e 10% da população foram achados anticorpos para o coronavírus.

Os resultados são semelhantes aos apurados na França e na Espanha.

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