OMS cita ‘evidências consistentes’ de que variante Ômicron está superando a Delta

Chefe da agência diz, ainda, que aumentaram as chances de uma pessoa vacinada ou recuperada do vírus ser infectada ou reinfectada
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Há “evidências consistentes” de que a variante Ômicron está superando a Delta, com a Covid-19 responsável por cerca de 50 mil mortes em todo o mundo semanalmente. O alerta foi feito na segunda-feira (20) por Tedros Ghebreyesus, chefe da OMS (Organização Mundial de Saúde). Segundo ele, agora é maior a chance de pessoas vacinadas ou recuperadas do vírus serem infectadas ou reinfectadas.

“Não pode haver dúvida de que o aumento da mistura social durante o período de férias em muitos países levará a um aumento de casos, sistemas de saúde sobrecarregados e mais mortes”, disse Ghebreyesus. “Todos nós estamos fartos desta pandemia. Todos nós queremos passar tempo com amigos e familiares. Todos nós queremos voltar ao normal. A maneira mais rápida de fazer isso é todos nós, líderes e indivíduos, tomarmos as decisões difíceis que devem ser feitas para proteger a nós mesmos e aos outros”.

Segundo o chefe da agência, atrasar ou cancelar eventos é a melhor decisão no momento. “Um evento cancelado é melhor do que uma vida cancelada. É melhor cancelar agora e comemorar mais tarde do que comemorar agora e sofrer mais tarde”.

Mais de 3,3 milhões de pessoas perderam a vida devido à Covid-19 neste ano – mais mortes do que por HIV, malária e tuberculose combinados em 2020, e a África agora enfrenta uma onda acentuada de infecções, impulsionada em grande parte pela variante Ômicron.

OMS cita 'evidências consistentes' de que variante Ômicron está superando a Delta
Idoso recebe dose da vacina à Covid-19 enviada via iniciativa Covax, da OMS, em Lima, Peru, março de 2021 (Foto: Unicef/Jose Vilca)

Há apenas um mês, a África relatava o menor número de casos em 18 meses, lembrou Ghebreyesus, enquanto na semana passada relatou o quarto maior número de casos em uma única semana até agora.

“Nenhum de nós quer estar aqui novamente em 12 meses, falando sobre oportunidades perdidas, desigualdade contínua ou novas variantes”, disse ele, afirmando mais uma vez que, para a pandemia terminar em 2022, “devemos acabar com a desigualdade, garantindo que 70% da população de cada país seja vacinada até meados do próximo ano”.

Outras doenças

Em todo o mundo, a OMS trabalha com os países para restaurar e manter os serviços de saúde essenciais interrompidos pela pandemia. De acordo com novos dados divulgados neste ano, 23 milhões de crianças perderam as vacinas de rotina em 2020, o maior número em mais de um década, aumentando os riscos de doenças evitáveis ​​como sarampo e poliomielite.

O progresso ainda está sendo feito em muitas outras áreas da saúde e da medicina. Cinco países conseguiram introduzir a vacina contra o papilomavírus humano (HPV) para prevenir o câncer cervical, e outros nove estão planejando introduzi-la nos próximos 6 meses. Em setembro, a OMS lançou um roteiro global para derrotar a meningite até 2030.

A pandemia também causou retrocessos nos esforços da agência para derrotar as principais doenças infecciosas do mundo, com uma estimativa de mais 14 milhões de casos de malária e 47 mil mais mortes por malária em 2020, em comparação com 2019.

“No entanto, a OMS certificou dois países, China e El Salvador, como livres da malária neste ano, e outros 25 estão a caminho de encerrar a transmissão da malária até 2025”, lembrou o líder da OMS aos jornalistas. Neste ano, a agência também fez uma recomendação histórica para amplo uso da primeira vacina contra malária do mundo.

Os serviços para doenças não transmissíveis também foram atingidos, com mais da metade dos países pesquisados ​​entre junho e outubro relatando interrupções nos serviços para diabetes, rastreamento e tratamento do câncer e controle da hipertensão.

Em meio às informações negativas, Ghebreyesus fez uma afirmação otimista para 2022 no que tange à Covid-19. “O ano de 2022 deve ser o ano em que acabaremos com a pandemia”, disse ele. “No próximo ano, a OMS está empenhada em fazer tudo ao nosso alcance para acabar com a pandemia e começar uma nova era na saúde global. Uma era em que a saúde esteja no centro dos planos de desenvolvimento de todos os países”.

Porém, reafirmou que, para evitar um desastre futuro na mesma escala, todos os países devem investir em sistemas de saúde resilientes, construídos na atenção primária e com cobertura universal de saúde como meta. “Quando as pessoas não têm acesso aos serviços de que precisam ou não podem pagar, indivíduos, famílias, comunidades e sociedades inteiras ficam em risco”, afirmou.

Conteúdo adaptado do material publicado originalmente em inglês pela ONU News

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