Ásia e Pacífico

Mais de 50 são presos por desafiar lei de segurança nacional de Hong Kong

Suspeitos teriam organizado primárias eleitorais não-oficiais para uma nova legislatura no Parlamento do território

Ao menos 53 ex-parlamentares e ativistas pela democracia foram presos nesta terça (5) em Hong Kong. A acusação seria a de que teriam organizado primárias eleitorais não-oficiais para a legislatura do território semiautônomo, reportou o jornal norte-americano “Washington Post”.

As prisões em massa já são o maior movimento de repressão à dissidência do governo chinês desde que Beijing pôs em vigor a lei de segurança nacional, em junho.

O ministro da Segurança de Hong Kong, John Lee, afirmou que os presos são suspeitos de tentar paralisar o governo e ganhar vantagem no Parlamento. “O objetivo era forçar o chefe do Executivo a renunciar e, assim, diluir o governo do território”, afirmou.

Mais de 50 são presos por desafiar lei de segurança nacional de Hong Kong
Protestos contrários a Beijing em Hong Kong, agosto de 2020 (Foto: Causeway Bay/Studio Incendo)

As primárias não-oficiais foram realizadas em julho e deveriam escolher candidatos para concorrer à eleição legislativa deste ano. A presidente de Hong Kong, Carrie Lam, porém, adiou o pleito em um ano por conta da pandemia.

Mais de 600 mil eleitores participaram da votação não-oficial. “Os eleitores não serão alvos”, disse Lee. Desde então, renúncias e desqualificações de legisladores pró-democracia tornaram a legislatura favorável a Beijing e sem espaço para dissenso.

Na mira de Beijing

A prisão em massa envolveu cerca de mil policiais. Os suspeitos são 45 homens e oito mulheres entre 23 e 79 anos, conforme nota da polícia de Hong Kong. Alguns ativistas conseguiram fugir da operação.

A lei de segurança nacional do território semi-autônomo classifica e criminaliza qualquer tentativa de “intervir” nos assuntos locais como “subversão, secessão, terrorismo e conluio”. Infrações graves podem levar à prisão perpétua.

A medida veio na esteira de uma série de protestos contra o aumento do domínio de Beijing sobre Hong Kong. Após a transferência do território dos britânicos para a China, em 1997, a cidade operou sobre um sistema mais autônomo – diferente do restante do país.