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ONU pede reabertura de escolas e fala em ‘catástrofe’ para atual geração de jovens

Agências defendem que medida seja imediata e segura para evitar uma catástrofe

A ONU (Organização das Nações Unidas) e duas de suas agências, Unesco e Unicef, cobram governos de todo o mundo pela reabertura segura das escolas, para evitar que uma “catástrofe” atinja a atual geração de estudantes. Escolas primárias e secundárias continuam fechadas em 19 países, em função da pandemia de Covid-19, afetando mais de 156 milhões de alunos. As entidades realçam que os centros educacionais devem ser “os últimos a fechar e os primeiros a reabrir”.

Em vídeo, a representante da Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) no Brasil, Marlova Noleto, disse que é momento de rever currículos. Ela defende uma união de esforços para compensar a perda de um ano e meio devido a ações para travar a pandemia.

“Nesse momento, é preciso que haja uma comunicação grande entre os serviços de saúde, a vigilância epidemiológica, a área educacional, os professores, as famílias e toda a comunidade escolar para que, juntos, possamos planejar a reabertura segura das escolas. Sabemos também que os nossos alunos, muitas vezes, têm nas escolas a única refeição do dia e têm um ambiente de proteção e de cuidados”, disse ela.

Crianças refugiadas em escola da Unicef após insurgência terrorista em Cabo Delgado, Moçambique, dezembro 2020 (Foto: Unicef/Mauricio Bisol)

A ONU entende que houve esforços para limitar a transmissão do vírus, mas que os governos têm mantido as escolas fechadas por períodos prolongados, mesmo quando a situação epidemiológica não o justifica. Em “muitos casos, as escolas foram fechadas, enquanto os bares e restaurantes permaneceram abertos”, diz um comunicado emitido pelas agências.

Envolvimento 

Para a diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, e a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, as perdas que crianças e jovens sofrerão por não frequentarem a escola podem nunca ser recuperadas.

Os efeitos variam desde perda de aprendizagem, sofrimento mental, exposição à violência e a abusos, refeições escolares e vacinações perdidas ou desenvolvimento reduzido de habilidades sociais. Tais efeitos serão sentidos no desempenho acadêmico e no envolvimento social infantil, bem como na saúde física e mental.

As agências apontam que crianças em ambientes com poucos recursos são geralmente as mais afetadas, porque não têm acesso a ferramentas de aprendizagem remota. O outro grupo é o dos mais novos, que ainda está em “estágios importantes de desenvolvimento”.

As perdas para os pais e encarregados são igualmente pesadas. Manter os filhos em casa muitas vezes os obriga a deixar seus empregos, especialmente em países com nenhuma ou limitada política de licença familiar.

Transmissão

Para as chefes de agência, não se pode esperar que os casos cheguem a zero. Elas apontam haver “provas claras de que as escolas primárias e secundárias não estão entre os principais fatores de transmissão.”

Estudantes usam máscara em escola primática de Luwambaza, no Malaui, em setembro de 2020 (Foto: Unicef/Malawi)

As entidades defendem que o risco de transmissão nas escolas pode ser administrado com uma mitigação adequada das estratégias na maioria dos locais. A base para a decisão de abrir ou fechar escolas deve ser “uma análise de risco e considerações epidemiológicas nas comunidades” onde elas se encontram. 

Abordando a questão dos desafios de imunização associada à reabertura das escolas, o comunicado aponta que “não pode esperar que todos os professores e alunos sejam vacinados”.

O argumento é o de que, com a falta global de vacinas que assola os países de baixa e média rendas, “a vacinação dos trabalhadores da linha de frente e dos que correm maior risco de doença grave e morte continuará sendo uma prioridade”.

Conteúdo adaptado do material publicado originalmente pela ONU News