Oriente Médio

EUA designam três indivíduos e uma entidade como financiadores do Estado Islâmico

Grupo baseado na Turquia já teria movimentado milhões de dólares fora da Síria e Iraque, onde o EI continua ativo

O Departamento de Estado dos EUA listou três indivíduos e uma entidade como financiadores do EI (Estado Islâmico) nesta segunda (18). Com isso, eles não poderão mais realizar transações ou entrar no país, além de serem visados no sistema financeiro internacional.

Em anúncio, Washington afirmou que o grupo extremista islâmico confia suas negociações em dinheiro a terceiros para ofuscar as transações. Os três indivíduos seriam responsáveis por milhões de dólares em reservas fora da Síria e do Iraque, onde o EI permanece ativo.

O primeiro designado é Alaa Khanfurah, ligado à financeira Al-Fay Company, acusada de transferir milhares de dólares para um facilitador do EI. Tanto o empresário quanto a organização, baseada na Turquia, estão sancionados.

EUA designam três indivíduos e uma entidade como financiadores do Estado Islâmico
Prédio do Departamento de Tesouro dos EUA, Washington, em dezembro de 2014 (Foto: Divulgação/U.S. Department of State)

A Al-Fay é de propriedade de Idris Ali Awad al-Fay, detido no Iraque. O homem teria fornecido suporte para o EI ao facilitar a distribuição global de dinheiro em nome do grupo terrorista. Com ele estava seu irmão, Ibrahim Ali Awad al-Fay, que também é acusado de enviar fundos ao EI.

Nas operações, os indivíduos usavam a empresa da Turquia para movimentar o mercado financeiro do Oriente Médio. A instituição era usada como intermediária entre doadores estrangeiros e o EI. Membros no campo de deslocados internos Al-Hawl, no nordeste da Síria, também participavam das operações.

Destino dos recursos

A fonte dos recursos vai desde da extorsão de empresas locais até saques e sequestros com resgates. Não se sabe ao certo quanto dinheiro os financiadores do Estado Islâmico movimentam por ano.

Em abril, um tribunal de Nínive, no Iraque, confiscou um “tesouro” de US$ 1,6 milhão do grupo.

Agentes encontraram o montante em escombros da Cidade Velha de Mosul, quando trabalhadores removiam destroços de casas destruídas. Militantes teriam escondido as notas, moedas de ouro e barras de prata dentro de barris de plástico enterrados a três metros de profundidade.

No Brasil

Casos mostram que o país é um “porto seguro” para extremistas. Em dezembro de 2013, um levantamento do site The Brazil Business indicava a presença de ao menos sete organizações terroristas no Brasil: Al Qaeda, Jihad Media Battalion, Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica, Al-Gama’a Al-Islamiyya e Grupo Combatente Islâmico Marroquino. Em 2001, uma investigação da revista VEJA mostrou que 20 membros terroristas de Al-Qaeda, Hamas e Hezbollah viviam no país, disseminando propaganda terrorista, coletando dinheiro, recrutando novos membros e planejando atos violentos. Em 2016, duas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos no Rio, a PF prendeu um grupo jihadista islâmico que planejava atentados semelhantes aos dos Jogos de Munique em 1972. Dez suspeitos de serem aliados ao Estado Islâmico foram presos e dois fugiram. Saiba mais.