Uma nova operação do Exército do Afeganistão matou 75 militantes do Taleban no final de semana naprovíncia de Kandahar, no sul do país. Com a ofensiva, Cabul retomou o controle do distrito de Arghandab, polo de conflitos e sede de células talibãs na região.
Kandahar é um antigo reduto do grupo fundamentalista islâmico. As ofensivas teriam iniciado ainda no sábado (3) e se estenderam até a noite de domingo. As “operações de limpeza”, como chama o Ministério da Defesa do Afeganistão, também mataram terroristas nas províncias de Zabul, Kunar, Nangarhar e Takhar.
Oficiais militares disseram à agência turca Anadolu que diversos líderes do grupo extremista estão entre os mortos, como o comandante-chave talibã, Sarhadi. Testemunhas não identificadas pela emissora indiana Odisha apontaram 82 óbitos na operação.

O exército afegão ainda afirma ter destruído dois tanques, armas e vários veículos dos insurgentes. A operação, especialmente com ataques aéreos, deve continuar nas próximas semanas em Kandahar, disse um porta-voz.
No Twitter, o porta-voz do Taleban, Zabihullah Mujahid, alertou para retaliação e alegou ter matado 45 membros das forças de segurança afegãs na capital Cabul.
Statement concerning new enemy operations in Kandahar, Badakhshan and other provinceshttps://t.co/uEgNz1JWLy
— Zabihullah (..ذبـــــیح الله م ) (@Zabehulah_M33) April 4, 2021
IEA orders the Commission for Military Affairs to take all necessary steps to defend itself and the local population if these operations are not immediately suspended. pic.twitter.com/mP26uJCV0s
Afeganistão em guerra
O avanço do Exército afegão contra militantes do Taleban ocorre em meio à negociação para um acordo de paz em Doha, no Catar. As tratativas foram retomadas em março, após meses de paralisação.
Cabul argumenta que a ofensiva é acessória à retirada das tropas dos EUA do país, que ocorre até 1º de maio. O secretário de Estado Anthony Blinken já sinalizou que Washington está disposta a postergar a decisão caso as autoridades afegãs pavimentem um caminho para o cessar-fogo.
Cabul e o Taleban deram início às tratativas mais recentes pela pacificação em setembro de 2020. As divergências entre as partes, porém, atrasaram uma conciliação e instauraram uma onda de violência no país, marcado por conflitos há décadas.
No Brasil
Casos mostram que o país é um “porto seguro” para extremistas. Em dezembro de 2013, um levantamento do site The Brazil Business indicava a presença de ao menos sete organizações terroristas no Brasil: Al Qaeda, Jihad Media Battalion, Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica, Al-Gama’a Al-Islamiyya e Grupo Combatente Islâmico Marroquino. Em 2001, uma investigação da revista VEJA mostrou que 20 membros terroristas de Al-Qaeda, Hamas e Hezbollah viviam no país, disseminando propaganda terrorista, coletando dinheiro, recrutando novos membros e planejando atos violentos. Em 2016, duas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos no Rio, a PF prendeu um grupo jihadista islâmico que planejava atentados semelhantes aos dos Jogos de Munique em 1972. Dez suspeitos de serem aliados ao Estado Islâmico foram presos e dois fugiram. Saiba mais.