África

Estado Islâmico incendeia resorts de luxo e toma ilhas paradisíacas no Índico

Ilhas de Vamizi e Mecungo, em Moçambique, recebem ricos e famosos; moradores locais foram expulsos

Conhecidas como local de férias dos famosos, as ilhas paradisíacas do Oceano Índico de Vamizi e Mecungo são agora “propriedade” do grupo extremista autodenominado Estado Islâmico.

De acordo com o tabloide inglês “The Sun”, os militantes invadiram e incendiaram resorts de luxo, impuseram a sharia, lei islâmica, e expulsaram os moradores locais da região.

“Eles chegaram à noite e disseram para correr se quiséssemos viver”, disse um dos moradores de Mecungo. “Todo mundo saiu da ilha”, completou. Em Vamizi, o grupo queimou cabanas de praia e incendiou carros de safári.

As ilhas estão fechadas para turistas desde o início da pandemia.

Estado Islâmico incendeia resorts de luxo e toma ilhas paradisíacas do Oceano Índico
Cabanas da ilha Vamizi incendiadas por insurgentes do Estado Islâmico em setembro de 2020 (Foto: Twitter/Gilbert Bouic)

Os insurgentes têm uma forte capacidade marítima, disse a diretora do Consórcio de Analistas e Pesquisadores em Terrorismo da África, Jasmine Opperman. “Essa capacidade está evoluindo rapidamente. Eles estão isolando a região por terra e mar e exercendo o seu domínio”, afirmou.

Região disputada

A ilha de Vamizi fica próxima a cidade portuária de Mocímboa da Praia, na província de Cabo Delgado, em Moçambique. O EI tomou o local rico em gás natural em 12 de agosto. Além de Mocímboa da Praia, o EI estabeleceu uma rede de ataques a diversas cidades do país para recrutar novos membros.

A proximidade com a fronteira da Tanzânia torna o local um ponto estratégico para o EI. Estima-se que mais de 1,5 mil pessoas foram mortas e 250 mil se deslocaram desde a insurgência dos extremistas no local, em 2017.

Os ataques se intensificaram neste ano depois que o grupo paramilitar Ahulu Sunnah Wa-Jama jurou fidelidade ao EI.

As ilhas de Tamizi e Mecungo são conhecidas por receber celebridades como o ator Daniel Craig, o cantor Bono Vox, o jogador de futebol Cristiano Ronaldo e o príncipe Albert de Mônaco.

No Brasil

Casos mostram que o país é um “porto seguro” para extremistas. Em dezembro de 2013, um levantamento do site The Brazil Business indicava a presença de ao menos sete organizações terroristas no Brasil: Al Qaeda, Jihad Media Battalion, Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica, Al-Gama’a Al-Islamiyya e Grupo Combatente Islâmico Marroquino. Em 2001, uma investigação da revista VEJA mostrou que 20 membros terroristas de Al-Qaeda, Hamas e Hezbollah viviam no país, disseminando propaganda terrorista, coletando dinheiro, recrutando novos membros e planejando atos violentos. Em 2016, duas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos no Rio, a PF prendeu um grupo jihadista islâmico que planejava atentados semelhantes aos dos Jogos de Munique em 1972. Dez suspeitos de serem aliados ao Estado Islâmico foram presos e dois fugiram. Saiba mais.