África

Governo e forças de Haftar assinam acordo para cessar-fogo na Líbia

Acordo define fim imediato dos ataques em todo o território; forças estrangeiras devem deixar país até janeiro

O Governo do Acordo Nacional e as forças do general renegado Khalifa Haftar assinaram, nesta sexta (23), o acordo para cessar-fogo na Líbia.

Em negociação mediada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em Genebra, na Suíça, os dois lados concordaram em encerrar os ataques mútuos em um acordo completo, nacional, permanente e de efeito imediato, disse a enviada especial e presidente dos trâmites recentes, Stephanie Williams.

Agora todas as forças – tanto nacionais quanto estrangeiras – devem retirar os seus exércitos das linhas de frente até o final de janeiro.

Com a Rússia a favor de Haftar, e a Turquia, auxiliando o governo de Trípoli, a guerra civil da Líbia já dura nove anos e teve diversas tentativas fracassadas de cessar-fogo.

Governo e forças de Haftar assinam acordo para cessar-fogo permanente na Líbia
Momento da assinatura do acordo de cessar-fogo na Líbia em 23 de outubro de 2020, na cidade suíça de Genebra (Foto: Reprodução/Facebook UNSMIL)

“Se Deus quiser, esta será a chave para a paz e a segurança em toda a Líbia”, disse o coronel Abu Ali Abushama, representante da delegação do governo na cerimônia de assinatura desta sexta-feira.

No que consiste o acordo

O entendimento vem após recente perda de poder de Haftar. O general viu suas tropas serem expulsas após tentar tomar a capital, Trípoli, em junho. Desde então, suas forças dominaram a cidade de Sirte, no centro do país.

Além de ser a cidade da morte do ditador Muammar Khadafi, que governou a Líbia entre 1969 e 2011, o local também guarda o corredor para uma região rica em petróleo.

O local concentra boa parte da extração da matéria-prima – a principal fonte de receita do país.

“Vocês se reuniram pelo bem da Líbia, para dar passos concretos a fim de acabar com o sofrimento”, cumprimentou Williams. A enviada da ONU exortou os países a cumprirem com o acordo.

“Espero que as futuras gerações celebrem o acordo de hoje, pois ele representa um primeiro passo decisivo e corajoso para solucionar a crise“.