EUA dizem que massacre da Praça da Paz Celestial ‘não será esquecido’

Enquanto na China o episódio é tema proibido, governo norte-americano relembra o dia 4 de junho com referência a Hong Kong

Assunto proibido na China continental, o massacre da Praça da Paz Celestial, em Beijing, completou 33 anos no sábado (4). Se por lá o assunto é vetado pelo governo, os Estados Unidos aproveitaram a data para lembrar o episódio histórico, dizendo que a repressão aos manifestantes “nunca será esquecida” e que a busca pela democracia hoje ecoa em Hong Kong. As informações são da agência catari Al Jazeera.

Em 4 de junho de 1989, o exército chinês repreendeu fortemente um protesto de manifestantes pró-democracia, vistos como ameaça ao domínio do Partido Comunista Chinês (PCC). Dados do governo britânico reproduzidos pela BBC falam em dez mil vítimas fatais. 

“Os esforços desses corajosos indivíduos não serão esquecidos”, disse o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, em comunicado alusivo ao episódio na Praça da Paz Celestial. “Para o povo da China e para aqueles que continuam a se opor à injustiça e buscam a liberdade, não esqueceremos o 4 de junho”.

A área da praça após o massacre, em junho de 1989 (Foto: Wikimedia Commons)

Ele acrescentou que aqueles que defenderam os direitos humanos e as liberdades fundamentais merecem ser lembrados. “Embora muitos não sejam mais capazes de se manifestar, nós e outros ao redor do mundo continuamos a defendê-los e apoiamos seus esforços pacíficos para promover a democracia e os direitos dos indivíduos”.

Centenas de milhares de estudantes e trabalhadores haviam se reunido para lamentar a morte do secretário-geral do PCC, Hu Yaobang. Porém, o evento pacífico logo se transformou em um movimento por maior transparência, reformas e democracia. O exército foi mobilizado para dispersar a multidão e agiu com armas de fogo e tanques de guerra. 

Os envolvidos no incidente foram considerados pelo regime como “contrarrevolucionários”. De lá para cá, a discussão pública sobre a repressão se tornou um tabu no continente.

Hong Kong e Macau são os únicos lugares na China onde é legalmente possível realizar atos em lembrança ao massacre. Nessas regiões, a política de “um país, dois sistemas” foi usada para balizar a devolução à China desses territórios, ex-colônias do Reino Unido e de Portugal.

Em Hong Kong, no entanto, o grupo da sociedade civil que organizou a vigília foi dissolvido e alguns de seus líderes hoje enfrentam acusações criminais desde que Beijing pôs em vigor a lei de segurança nacional, em junho de 2020. Entre eles ativistas proeminentes como Jimmy Sham e Figo Chan. Temendo a perseguição, mais de 30 grupos da sociedade civil foram desfeitos.

A medida do território semiautônomo classifica e criminaliza qualquer tentativa de “intervir” nos assuntos locais como “subversão, secessão, terrorismo e conluio”. Infrações graves podem levar à prisão perpétua. A medida veio na esteira de uma série de protestos contra o aumento do domínio chinês sobre Hong Kong.

Neste ano, a polícia local alertou as pessoas contra a realização do evento e, na noite de sexta-feira (3), isolou a área. Na visão de grupos de direitos humanos, a lei de segurança “dizimou” os direitos e liberdades de Hong Kong.

Já as autoridades creditam à legislação a restauração da “estabilidade” do território após meses de manifestações populares em 2019, que começaram com protestos em massa em oposição a uma lei planejada de extradição continental e evoluíram para um apelo mais amplo por reforma política.

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