Ásia e Pacífico

Polícia turca prende 10 suspeitos de ligação com o Estado Islâmico em Istambul

Detenções ocorreram durante 12 operações de combate ao terrorismo em oito distritos da província de Istambul

A polícia turca prendeu dez homens suspeitos de integrarem o grupo extremista Estado Islâmico (EI), na última quinta-feira (19). Os suspeitos foram presos em oito diferentes distritos da província de Istambul, segundo informações do site Monitor do Oriente Médio (Memo).

Conforme informações divulgadas no domingo (22) pelas autoridades turcas, as prisões ocorreram em uma série de 12 operações de combate ao terrorismo empreendidas na província.

Em fevereiro, após a Turquia capturar um terrorista de alta patente associado ao movimento jihadista, autoridades alertavam que a pandemia de Covid-19 criou um “terreno fértil” para o recrutamento de novos integrantes pelo EI no Oriente Médio e na África.

A situação é especialmente preocupante para a Turquia, que em 2013 foi um dos primeiros países a declarar o EI uma organização terrorista.

Desde então, o país foi atacado pelo grupo terrorista várias vezes, com mais de 300 mortos e centenas de feridos em pelo menos dez atentados suicidas, sete atentados a bomba e quatro assaltos armados.

Polícia turca prende 10 suspeitos de ligação com o Estado Islâmico em Istambul
Polícia de Istambul durante operação local (Foto: Wikimedia Commons)

Por que isso importa?

De acordo com um relatório do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), publicado em julho deste ano, a prioridade do EI atualmente é “o reagrupamento e a tentativa de ressurgir” em seus dois principais domínios, Iraque e Síria. O documento sugere, ainda, que o grupo teve considerável perda financeira recentemente, devido a dois fatores: as operações antiterrorismo no mundo e a má gestão de fundos por parte de seus líderes.

Militarmente, o EI também se enfraqueceu. Em 2017, o exército iraquiano anunciou ter derrotado a organização no país, com a retomada de todos os territórios que ela dominava desde 2014. O grupo, que chegou a controlar um terço do Iraque, hoje mantém apenas células adormecidas que lançam ataques esporádicos. Já as Forças Democráticas Sírias (FDS), apoiadas pelos EUA, anunciaram em 2019 o fim do “califado” criado pelos extremistas no país.

Paralelamente à derrocada do EI, a pandemia de Covid-19 reduziu o número de ataques terroristas em regiões sem conflito, devido a fatores como a redução do número de pessoas em áreas públicas. Entretanto, grupos jihadistas têm se fortalecido em zonas de conflito, e isso pode causar um impacto na segurança global conforme as regras de restrição à circulação são afrouxadas.

Esse cenário permitiu ao EI, particularmente, ganhar uma sobrevida, fazendo uso sobretudo do poder da internet. À medida em que as restrições relacionadas à pandemia diminuem gradualmente, há uma elevada ameaça de curto prazo de ataques inspirados no grupo fora das zonas de conflito. São ações empreendidas por atores solitários ou pequenos grupos que foram radicalizados e incitados através da internet.

Atualmente, o principal reduto do EI é o continente africano, onde consegue se manter relevante graças ao recrutamento online e à ação de grupos afiliados regionais, como o Boko Haram, da Nigéria. A expansão do grupo em muitas regiões da África desde o início de 2021 é alarmante e pode marcar a retomada de força da organização.