ARTIGO: com o Festival de Cannes cancelado, o que se perde?

Um dos mais importantes festivais do mundo, que aconteceria em maio, foi cancelado por causa do coronavírus
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O Festival de Cinema de Cannes, sediado na cidade francesa que dá nome ao evento, já sofreu com a marcha dos acontecimentos desde que sua primeira edição foi adiada, por causa da II Guerra Mundial.

Neste ano, o motivo para o cancelamento é a pandemia do novo coronavírus. A 73ª edição do Festival de Cannes, marcada para começar no último dia 12, será substituída por uma lista de filmes que haviam sido escolhidos para este ano.

Os críticos do “The New York Times” Manohla Dargis e A.O. Scott, e o colunista Kyle Buchanan tentam explicar, em um artigo publicado pelo jornal no último dia 12, o que torna o Festival de Cannes tão essencial para os amantes do cinema.

ARTIGO: com o Festival de Cannes cancelado, o que se perde?
Festival de Cannes em 2019 (Foto: Boris Colletier/Flickr)

Streaming versus telona

Para Buchanan, as expectativas para a edição deste ano eram altas após, em 2019, o festival lançar o filme “Parasita”, do diretor Bong Joon Ho. Foi o primeiro longa em 64 anos a levar a Palma de Ouro, prêmio de maior prestígio do festival, e o Oscar de melhor filme.

Scott afirma que — apesar dos tapetes vermelhos, fotógrafos e festas em iates — o festival representa uma devoção quase religiosa ao cinema. Abria espaço para todos os tipos de filme e permite que ganhem ao menos um momento de glória na Côte d’Azur.

Segundo Scott, não há streaming que substitua o que Cannes representa. “Eu disse que há algo religioso [no festival] e perder isso é como ver uma página arrancada do calendário sagrado. A questão é se ela pode ser costurada de volta”, opina o crítico.

Dargis considera ir a Cannes um privilégio “em vários níveis”. Entre eles, ter a chance de ver alguns dos melhores novos filmes do mundo de uma vez, descobrindo cada um por conta própria. O festival ainda seria uma grande publicidade para filmes que jamais seriam notados se não fossem exibidos ali.

Assim como Hollywood, Cannes também enfrenta impactos causados pela era do streaming. Com a pandemia do novo coronavírus e as medidas de isolamento social, as plataformas ganharam ainda mais força, levantando incertezas sobre o futuro do cinema.

Experiência coletiva

O isolamento social ajudou Dargis a apreciar a beleza de sair de casa, sobretudo para ir ao cinema, e a importância de falar mais sobre suas experiências na crítica. Para ela, discutir essas vivências é essencial para a forma como se vê e entende um filme, além de definir como afeta o público.

No artigo, Dargis fala como o cineasta James Gray, que já esteve quatro vezes na competição principal do festival, afirma que o objetivo dele é manter o público sentado na cadeira, preso ao filme.

A crítica diz ainda que Cannes não é só sobre cinema. É, sim, sobre rir e chorar e comentar sobre o filme depois. Isso não acontece quando cada um assiste a um longa de casa, por streaming.

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