Coronavírus

OIT: Recuperação é incerta após crise sem precedentes no mercado de trabalho

A contar por perda em horas de trabalho, 2020 terminou com perda de 255 milhões de empregos no mundo

Este conteúdo foi publicado originalmente na agência ONU News, da Organização das Nações Unidas

Sinais de recuperação começam a aparecer nos mercados de trabalho em todo o mundo após uma crise sem precedentes causada pela pandemia de Covid-19, mas o cenário do ano passado está descrito no mais recente relatório da OIT (Organização Internacional do Trabalho).

Os dados mostram que, assumindo uma semana de trabalho de 48 horas, 8,8% das horas de trabalho globais foram perdidas no ano passado. O que equivale a 255 milhões de empregos em tempo integral, comparado ao quarto trimestre de 2019.

O número é quatro vezes maior ao de horas perdidas durante a crise financeira global de 2009. Causas variadas explicam a perda, como a redução das jornadas de trabalho e os altos níveis de desemprego.

OIT: Recuperação é incerta  após crise sem precedentes no mercado de trabalho
Trabalhador informal em Kathmandu, Nepal (Foto: UN Photo/Vibhu Mishra)

Estimativas apontam que mais de 114 milhões de pessoas ficaram desempregadas no último ano. Do total, 71% – ou 81 milhões – vieram na forma de inatividade, ou seja, deixaram o mercado de trabalho porque não conseguiam trabalhar.

Algumas possibilidades para o panorama são as restrições impostas pela pandemia e a cessão da procura por emprego. Essas perdas resultaram em uma queda de 8,3 % da renda global do trabalho – o equivalente a US$ 3,7 trilhões ou 4,4 % do PIB (Produto Interno Bruto) global.

Impacto

As mulheres são as mais afetadas do que os homens pelas perturbações do mercado de trabalho causadas pela pandemia. Globalmente, as perdas de emprego das mulheres situam-se nos 5%, contra 3,9% dos homens.

A perda de emprego entre os jovens de 15 a 24 anos foi de 8,7%. A população adulta, por outro lado, sofreu uma contração de 3,7%. “Esse movimento destaca um risco real de geração perdida”, aponta o relatório.

Já o setor mais afetado foi o de hospedagem e alimentação, onde o emprego diminuiu em mais de 20%, em média. Em contraste, o emprego nos setores de informação e comunicação, finanças e seguros aumentou no segundo e no terceiro trimestres de 2020.

Embora ainda haja um alto grau de incerteza, as últimas projeções para 2021 mostram que a maioria dos países experimentará uma recuperação relativamente forte no segundo semestre do ano, à medida que os programas de vacinação entrarem vigor.

OIT: Recuperação é incerta  após crise sem precedentes no mercado de trabalho
Rua comercial na cidade de Jodhpur, ao noroeste da Índia, em outubro de 2005 (Foto: CreativeCommons/Francisco Anzola)

Prioridades

No cenário pessimista, que pressupõe que o progresso será lento principalmente no que diz respeito à imunização, a jornada de trabalho diminuiria 4,6%.

No cenário otimista, a queda seria de 1,3 %. O controle da pandemia, assim como o aumento da confiança do consumidor e do empresariado, levaria ao cenário mais favorável.

Em todos os cenários, Américas, Europa e Ásia Central registrariam cerca do dobro da perda de horas trabalhadas comparado com as demais regiões.

Recomendações 

O Monitor OIT inclui uma série de recomendações políticas para a recuperação do mercado de trabalho. São elas:

  • Manutenção de políticas macroeconômicas flexíveis em 2021 e em anos subsequentes, na medida do possível, por meio de incentivos fiscais e da adoção de medidas que estimulem a renda e o investimento
  • Formulação de medidas específicas voltadas para mulheres, jovens, trabalhadores com pouca qualificação e baixa remuneração, e outros grupos duramente atingidos
  • Prestação de assistência internacional a países de baixa e média rendas, que dispõem de menos recursos financeiros para realizar o processo de vacinação e promover a recuperação econômica e do emprego
  • Adoção de medidas específicas de apoio aos setores com maior queda e promoção do emprego nos setores com avanços mais lentos
  • Promoção do diálogo social para implementar as estratégias de recuperação necessárias à criação de economias mais inclusivas, justas e sustentáveis.