Reino Unido receberá ajuda humanitária pela 1ª vez

Crianças do distrito de Southwark receberão refeições no recesso de natal; políticos britânicos questionaram ação
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O Reino Unido receberá ajuda humanitária da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) para financiar cestas básicas a famílias afetadas pela Covid-19 em Southwark, ao sul de Londres. O auxílio é o primeiro em 70 anos.

Crianças de 25 escolas receberão cafés da manhã nutritivos durante as férias de Natal, de duas semanas. O investimento será de US$ 34 mil – o equivalente a R$ 172 mil. Ao todo serão 18 mil refeições.

A medida vem na esteira do aprofundamento da pobreza no país. Em fevereiro, a pobreza já afetava 14 milhões entre os 65 milhões de habitantes. A estimativa é que este número tenha crescido com a pandemia.

Reino Unido receberá ajuda humanitária pela 1ª vez em 70 anos
Morador de rua em Southwark, abril de 2020 (Foto: Twitter/Southwark Gov)

Segundo a diretora da Unicef Reino Unido, Anna Kettley, a ação busca alcançar as famílias mais necessitadas com pelo menos uma alimentação durante o período.

“Este financiamento ajudará, mas é necessária uma solução a longo prazo”, disse. Com mais de 1,6 milhão de casos confirmados, o Reino Unido está entre os países com maior registro de contaminações por Covid-19 desde outubro, início do segundo surto.

Políticos ingleses reagem

Em entrevista ao The Guardian, a vice-líder trabalhista Angela Rayner julgou a necessidade de ajuda como uma “vergonha” ao Reino Unido e, principalmente, ao primeiro-ministro Boris Johnson.

“Somos um dos países mais ricos do mundo. Nossos filhos não deveriam depender de instituições de caridade”, disse. A ala trabalhista rege o distrito de Southwark – a principal sigla de oposição ao premiê.

O líder conservador Jacob Rees Mogg acusou a Unicef de “fazer política” ao destinar os alimentos às crianças inglesas. “É um escândalo que a Unicef brinque de política dessa forma quando milhões de crianças demandam ajuda nos países mais pobres“, afirmou à emissora portuguesa RTP, nesta quinta (17)

Em resposta, um porta-voz de Downing Street afirmou que o governo britânico está empenhado em apoiar as famílias com salários baixos durante a pandemia.

“É por isso que aumentamos o salário mínimo e introduzimos um subsídio de inverno de 170 milhões [de libras esterlinas] para ajudar crianças e famílias durante os meses de frio”, pontuou.

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