Economia

‘Reino Unido brinca com o calendário’, diz chanceler francês sobre Brexit

UE e Reino Unido ainda devem decidir sobre regras para acordo comercial; Londres deixa bloco em em janeiro

Na opinião da França, o Reino Unido não está dando a importância devida aos acordos finais do Brexit. Em registro da Bloomberg, nesta quarta (25), o ministro francês de Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, afirmou que os ingleses não tem foco no processo de saída.

“O Reino Unido continua a arrastar as discussões sobre questões paralelas e está brincando com o calendário”, disse o chanceler. “Cabe aos britânicos abandonar as posturas táticas e fazer os gestos necessários”.

De acordo com o ministro, UE e Reino Unido ainda devem decidir sobre os direitos de pesca e as regras para um acordo comercial e de concorrência leal – temas “extremamente distantes”, classificou Le Drian.

O ministro de Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, em julho de 2011 (Foto: WikiCommons)

Nesta quarta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou ao Parlamento Europeu que os próximos dias devem ser decisivos para as negociações.

As partes devem retomar a discussão em Londres. O negociador-chefe da UE, Michel Barnier, no entanto, já deixou claro que as conversas só reiniciarão se o Reino Unido “estiver preparado para ceder”, como destacou o jornal francês “Les Echos”.

Desde o referendo de 2016, já são quatro anos de um processo litigioso entre as partes. A partir de janeiro, o Reino Unido estará fora da União Europeia em definitivo, com ou sem um acordo comercial em vigor.

Desacordo em três áreas

A UE e o Reino Unido discordam em pelo menos três esferas: as igualdades de condições de concorrência; o acesso às águas de pesca britânicas e a aplicação dos acordos.

O tempo é cada vez mais curto, e ambos os lados buscam aumentar as concessões para que um entendimento seja possível. A UE estuda como permitir que um possível acordo entre em vigor, mesmo que de forma provisória, a partir de 1 de janeiro.

Mas, segundo Le Drian, a UE não forçará um acordo definitivo dentro do prazo. “Esperamos um acordo, mas a partir de hoje, não estamos em condições de obtê-lo. Às vezes, é melhor não ter um acordo do que um acordo ruim”, pontuou.