África

Desmobilização do Renamo deve ocorrer até o fim de 2020 em Moçambique

ONU aposta em reintegração até o Natal; Renamo liderou batalha contra o governo em guerra civil de 16 anos

A ONU (Organização das Nações Unidas) espera que o processo de desmobilização e desarmamento do Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), o principal partido de oposição de Moçambique, deve ocorrer até o final de 2020.

A alternativa em reintegrar ex-combatentes e desmobilizar o grupo é estratégica, disse o enviado especial das Nações Unidas em Moçambique, Mirko Manzoni.

Segundo ele, a escalada de ataques de insurgentes do Estado Islâmico na província de Cabo Delgado acelera a demanda de apoio à nação lusófona. Os atentados se intensificaram desde que o grupo paramilitar Ahulu Sunnah Wa-Jama, que opera na região, jurou fidelidade ao EI.

Desmobilização de Renamo  deve ocorrer até o fim de 2020 em Moçambique
Assinatura do Acordo de Maputo, reconciliação do governo de Moçambique com o Renamo, com lideranças da União Africana, em agosto de 2019 (Foto: CreativeCommons/Ruanda Goverment)

“É um sinal importante ao país, mesmo em meio a tantos conflitos importantes, como a Síria, Líbia e Iêmen”, disse Manzoni. “Mas viajarei pessoalmente a Moçambique para verificar a situação da população e bases que iremos desmobilizar”.

O processo integra a implementação do Acordo de Maputo, assinado em agosto de 2019 pelo governo e o Renamo. Antes, o Parlamento moçambicano aprovou uma lei de anistia.

Estabilidade regional

Segundo o enviado da ONU, o processo de reintegração dos ex-integrantes do Renamo afeta a estabilidade regional, uma vez que o centro de Moçambique é visto como um ponto estratégico para negócios.

“É um problema puramente político. Representarei o governo e a junta [do Renamo] para chegarmos a uma conclusão até o Natal”, firmou Manzoni. O Renamo surgiu em 1975 em resposta às políticas da Frelimo, partido até hoje no poder no país.

As disputas com o governo culminaram em uma guerra civil que perdurou por 16 anos e matou um milhão de pessoas, tanto em conflitos quanto pela fome. As primeiras eleições democráticas do país só vieram em 1994, após o fim do conflito.