Américas

EUA intensificam campanha para desencorajar migrações ao país

Washington contratou 28 mil anúncios em 133 emissoras, incluindo do Brasil, para desestimular migração ilegal aos EUA

O governo dos EUA aumentou a propaganda para desencorajar migrações ao país. Segundo a CNN, 28 mil novos anúncios estão programados para circular em 133 emissoras e veículos de comunicação da América Latina.

A medida vem na esteira do crescimento das migrações para os EUA, puxada pelo aumento da pobreza latino-americana. Nas peças publicitárias, um homem tenta dissuadir o outro de cruzar a fronteira e alerta para o risco de assaltos, sequestros e assassinatos, além da chance de transmissão da Covid-19.

“Não coloque a vida de seus filhos em risco com base em falsas esperanças”, diz o ator. As mensagens, gravadas em português, espanhol e seis línguas indígenas, já circulam em países como Brasil, El Salvador, Guatemala e Honduras desde janeiro.

EUA intensifica campanha para desencorajar migrações ao país
Famílias de diversos países latinos aguardam resolução dos EUA sobre pedidos de asilo no estádio Jesús Martínez, na Cidade do México, em novembro de 2018 (Foto: Unicef/Luis Kelly)

Com a posse do presidente Joe Biden, em janeiro, contrabandistas passaram a afirmar que a fiscalização na fronteira dos EUA está mais flexível e que o país está “mais receptivo” aos migrantes. As políticas de Donald Trump, como o encarceramento e separação de crianças de suas famílias, contribuíram para impedir que pessoas tentassem atravessar a fronteira.

Um grande número passou a se refugiar no México até poder entrar nos EUA, o que também aumentou os índices de violência nas regiões próximas à fronteira.

O falso incentivo alimenta esperanças de milhões de cidadãos da América Latina que buscam por melhores condições de vida em meio à violência e devastação econômica deixada pela Covid-19 e pelos furacões no continente.

Desinformação acelera pedidos de asilo

Dados levantados pela Reuters apontam que 19 mil migrantes foram apreendidos por agentes dos EUA na fronteira sul do país em fevereiro. O número representa quase o triplo do registrado em janeiro.

Em março, o número de migrantes que chegaram à fronteira dos EUA com o México chegou a 171,7 mil, a maioria composta por menores desacompanhados. Casos de afogamento, violência e exploração de crianças e adolescentes deixados “aos cuidados” de contrabandistas se tornaram cada vez mais comuns.

Jornalistas da agência norte-americana entraram em contato com contrabandistas pelo Facebook, fingindo interesse em uma suposta migração e um deles deixou claro que a “fronteira está aberta”. A Alfândega e CBP (Proteção de Fronteiras dos EUA, na sigla em inglês) continuam com a política de devolver ao México a maioria dos cidadãos que tentam entrar em território norte-americano.

Cerca de 70 mil migrantes, ou 70% dos que tentaram atravessar, foram deportados só em fevereiro. Famílias e crianças desacompanhadas têm mais chance de aguardar as audiências de asilo no país, mas os casos são raros.