Ásia e Pacífico

Ações de ‘big techs’ chinesas despencam após regulamentação do governo

Beijing impôs restrições antitruste às empresas por supostas práticas não competitivas; ações de app recuaram 11%

A tentativa de regulamentar comportamentos anticompetitivos no mercado de tecnologia por Beijing, na segunda (9), não gerou bons resultados às ações das gigantes de tecnologia da China.

Grandes corporações como Alibaba e Tencent viram suas ações na Bolsa de Hong Kong despencar após o governo de Xi Jinping decretar restrições aos setores de internet, comércio eletrônico e finanças digitais.

De acordo com a Bloomberg, as ações da Alibaba, do bilionário Jack Ma, e Tencent recuaram 5% e 4% após a notícia da nova regulação, respectivamente. Já as ações do aplicativo de delivery Meituan contraíram mais de 11%. Nenhuma das empresas respondeu aos pedidos de comentário.

A retração ocorre pouco dias depois do governo chinês suspender o IPO (Oferta Pública Inicial, em inglês) do Ant Group, estimado em US$ 30 bilhões. A fintech ligada à Alibaba ia realizar o maior IPO da história.

Beijing lança regulamentação a gigantes da tecnologia e ações despencam
Loja da Tencent em Beijing, 2016 (Foto: Creative Commons/Mark Schiefelbein)

Essa é a primeira barreira imposta às empresas com negócios online da China. Especialistas apontam que Beijing pode estar alerta sobre o crescimento acelerado dessas organizações e sua influência crescente.

Só a Alibaba, Ant Group e Tencent comandam, sozinhas, uma capitalização combinada de cerca de US$ 2 trilhões – valor que ultrapassa gigantes estatais como o Banco Central da China.

O órgão antitruste da China busca restringir o comportamento anticompetitivo, como conluios de compartilhamento de dados pessoais de consumidores, alianças e subsídios que jogam preços para abaixo do preço de custo e eliminam concorrentes.

As novas regras foram propostas na Lei Antimonopólio, que instituiu em janeiro as primeiras regras para as empresas de internet. A restrição atinge o direcionamento de publicidade para clientes por meio de seu comportamento online, por exemplo.

Com a legislação, empresas infratoras podem ser forçadas a alienar ativos, propriedade intelectual e tecnologias, além de serem obrigadas a ajustar seus algoritmos.