Ásia e Pacífico

Em cúpula, UE pede que Beijing abra economia e respeite direitos humanos

Acordo entre China e UE após cúpula virtual é considerado grande avanço nas relações de comércio bilaterais

Destinada à assinatura de um pacto pela expansão do comércio de alimentos de alto valor, a última cúpula entre a União Europeia e a China, nesta segunda (14), terminou com a solicitação para que Beijing promova abertura econômica com respeito aos direitos humanos.

A China foi pressionada a permitir o acesso de autoridades estrangeiras a Xinjiang. A província, ao oeste do país, é de maioria uigur – grupo de fé muçulmana com raízes túrquicas, vítima de uma política sistemática de limpeza étnica por parte das autoridades.

Denúncias dão conta de que centenas de milhares de uigures estariam confinados em campos de detenção. Beijing afirma que os locais visam “combater o extremismo”, mas há registros de abusos.

Em cúpula, UE pede que Beijing abra economia e respeite direitos humanos
Reunião virtual entre a cúpula China-UE em 14 de setembro de 2020 (Foto: União Europeia)

Na reunião, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmou que, ao crescer economicamente nos últimos 15 anos, a China agora deve oferecer reciprocidade e igualdade de condições comerciais.

O encontro é considerado grande avanço nas negociações bilaterais com o país liderado por Xi Jinping, que tem na UE o seu principal parceiro comercial.

“Pedimos a presença de observadores independentes em Xinjiang e exigimos a libertação do cidadão sueco Gui Minhai, detido arbitrariamente, e de dois cidadãos canadenses”, reiterou o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

Acordo firmado

Mesmo em meio a críticas, UE e China assinaram um acordo para proteger o mercado de alimentos e bebidas com selos de denominação de origem, exportados em um movimento mútuo.

Em cúpula, UE pede que Beijing abra economia e respeite direitos humanos

Com o acordo, produtores dos Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia não poderão usar nomes de alimentos europeus ao exportar para a China. São exemplos o whisky irlandês, queijo feta grego e pasta de feijão pixian, de origem chinesa.

Uma nova reunião deve ocorrer em 2021 com os chefes de Estado da UE e o presidente Xi Jinping. Até lá, a China foi instada a planejar a redução de gases de efeito estufa e apresentá-lo à cúpula.