Pobreza aumenta pela 1ª vez em 20 anos no leste asiático e já alcança 38 milhões

Pandemia paralisou crescimento na região e pode comprometer ganhos nos próximos anos, segundo Banco Mundial
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De acordo com um relatório do Banco Mundial divulgado na terça (29), a pobreza deve atingir até 38 milhões de pessoas no leste asiático em 2020 – o primeiro aumento em 20 anos.

O banco estima que 33 milhões de pessoas teriam escapado da pobreza em em 2020 se não houvesse a pandemia do novo coronavírus. Outros cinco milhões deixaram neste ano classe média.

O banco chama atenção para um “choque triplo”: a crise após as medidas de contenção, a recessão global, e o aumento da pobreza, que continuará também nos próximos anos.

Pobreza aumenta pela 1ª vez em 20 anos no leste asiático e já alcança 38 milhões
Mulher leva filho para atendimento em posto de saúde da ilha de Java, da Indonésia, em junho de 2020 (Foto: UNICEF/Fauzan Ijazah)

As estimativas são semelhantes às da América Latina: o impacto não atinge apenas aqueles que já eram pobres, mas também poderá “criar” uma nova população de vulneráveis, disse a vice-presidente do banco para o leste asiático, Victoria Kwakwa.

“O fechamento de escolas devido à Covid-19 pode resultar na perda de até 0,7 anos de escolaridade”, disse. “Os estudantes da região devem enfrentar uma redução de 4% nos ganhos esperados a cada ano da vida profissional”.

Expectativas

Ainda que com os danos, a resposta dos países do leste asiático à pandemia foi satisfatória, apontou o Banco Mundial. Por isso, há expectativas favoráveis para uma retomada da atividade econômica doméstica.

Mesmo que não tenham longa tradição de investimento em programas sociais, os governos destinaram somas recordes a projetos de auxílio às populações desde o início da pandemia.

Em uma média, os países alocaram cerca de 5% do PIB (Produto Interno Bruto) para aprimorar a saúde pública e dar apoio a famílias e empresas durante o pico dos contágios.

Os piores resultados foram identificados na Indonésia, em Mianmar e nas Filipinas, que ainda lutam para conter o vírus. “Esses países demoraram a tomar medidas de proteção”, disse a economista-chefe do Banco Mundial, Aaditya Mattoo ao diário britânico “Financial Times“.

Para retomar a atividade econômica, a recomendação é que o leste asiático invista em novas reformas. Entre elas estão a eliminação gradual dos subsídios aos combustíveis e a liberalização do comércio de serviços – amplamente protegidos na região, pontuou Mattoo.

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